Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 10/11/2021
Comportamentos repetitivos, hipersensibilidade a estímulos visuais e sonoros, dificuldade em compreender expressões conotativas, manter contato visual e expressar sentimentos. Em geral, essas são as principais características que dificultam a socialização das pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) com os neurotípicos - aqueles que possuem desenvolvimento neurológico considerado padrão. Infelizmente, essas diferenças psicocomportamentais provocam a exclusão social dos autistas, em virtude da omissão estatal e o preconceito social. Nesse sentido, dado o compromisso do Estado Brasileiro com a dignidade humana, torna-se imprescindível que o mesmo atue com o fito de mitigar os desafios na inclusão social dos autistas na sociedade brasileira.
Dessa forma, a priori, é necessário destacar que o Governo Federal precisa realizar investimentos substanciais para garantir a inserção plena dos autistas na sociedade. A partir da análise dos dados divulgados pelo Banco Mundial, é possível afirmar que o Brasil subfinancia o Sistema Único de Saúde, uma vez que investe apenas 4% do seu Produto Interno Bruto (PIB) no SUS, enquanto, o Canadá, por exemplo, mesmo tendo 1/6 para a população absoluta do Brasil, depreende cerca de 8% do PIB para a mesma finalidade. Nesse cenário, é evidente que os autistas - que precisam de acompanhamento psicológico, fisioterapêutico e fonoaudiológico - não recebem um tratamento adequado, em função da carência de verba do SUS.
Posto isso, a falta de tratamento precoce das pessoas diagnosticadas com Autismo resulta na exclusão social. Para Greta Thunderg, ativista pelo Meio Ambiente, diagnosticada com síndrome de Asperger (um espectro do transtorno autista), a falta de inserção social dos autistas na sociedade representa um desperdício de potencialidades, dado que o grupo é capaz de desenvolver uma concentração profunda que os permite se aprofundar em certos temas ao relevante corpo social. Com efeito, a exclusão social, causada pelo preconceito, pode cessar o progresso da humanidade. Destarte, o preconceito aliado subfinanciamento do Estado em relação às políticas públicas voltadas à inclusão social dos autistas, representa um risco ao desenvolvimento social. Assim, dada a importância da inclusão social dos autistas no corpo social, torna-se imprescindível que o Governo Federal invista ostensivamente no diagnóstico e tratamento dos autistas, para garantir que todas as suas potencialidades sejam desenvolvidas. Para isso, é necessário que a Câmara dos Deputados aprove um projeto de lei que aumente, no mínimo, em 15% a verba direcionada para a Saúde. Com isso, esperar-se-á que os autistas sejam plenamente inseridos na sociedade de modo a contribuir com a prosperidade da humanidade.