Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 26/10/2021

‘‘O importante da vida não é viver, mas viver bem’’. De acordo com Platão, ainda na Grécia Antiga, é a qualidade de vida, e não a simples existência, o que deve ser valorizado. Mais de dois mil anos depois, ‘‘viver bem’’ ainda se mostra uma difícil tarefa a grande parte dos indivíduos que apresentam autismo no Brasil, haja vista que há desafios para a inclusão dessas pessoas na sociedade. Nesse contexto, faz-se necessário um debate acerca desse problema, tendo em vista as causas de ordem social e estatal.

Primordialmente, é fulcral salientar a culpa  de parte da população à degradante situação dos autistas no País. Consoante à isso, a filósofa alemã, Hanna Arendt, em seu conceito de ’’ Banalidade do Mal’’, reflete a massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados que ignoram problemas que atingem grupos minoritários. O conceito da pensadora pode ser aplicado aos desafios da inclusão de pesssoas com autismo no Brasil, na medida em que, pela falta de informação acerca da realidade dos portadores dessa psicopatologia, cria-se um preconceito contra eles e escassas medidas são tomadas para mudar esse panorama. Por conseguinte, esses cidadãos são tratados de maneira inapropriada e, pela falta de discussão, há a exclusão de sujeitos com doenças psíquicas no tecido social brasileiro.

Outrossim, é importante destacar a insuficiente ação do Estado para essa inclusão. Conforme o filósofo Maquiavel, o principal objetivo do governante é a manutenção do poder e não a promoção do bem comum. Nesse prisma, há uma negligência do governo , com insuficientes ações conscientizadoras e de ajuda à realidade dos autistas, pelo fato de que políticas públicas nesse sentido não garantem um amplo efetivo de votos aos políticos. Isso porque a população, em grande parte, não está preocupada com os portadores dessa doença mental e, por isso, não vota, necessariamente, em governantes que tem como pauta ações em benefício desse grupo. Com isso, prevalece uma inércia do Estado à exclusão sofrida por esses cidadãos.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para superar os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Dessarte, cabe ao Estado inserir, com maior frequência, esse debate nas escolas e promover campanhas conscientizadoras acerca da importância de não discriminar essas pessoas, por meio de investimentos para tal. Isso pode ser feito com a criação de um fundo que possibilite anúncios e programas televisivos que discutam acerca dessa questão, a fim de uma maior inclusão a esse grupo. Assim, espera-se que o indivíduo autista seja cada vez mais incluso na sociedade e possa, também, ’’ viver bem ‘’, como disse Platão.