Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 10/11/2021
O espectro autista, uma categoria da Síndrome de Asperger, causa complicações na comunicação e também no comportamento, como em dificuldades nas relações sociais. No Brasil, esse quadro atinge quase 2 milhões de brasileiros. Nesse contexto, surge a problemática de inclusão dessas pessoas no cenário do país, seja pela falta de comunicação diante de um preconceito, seja pela falta de preparo social diante do pouco que se sabe sobre esse espectro.
Sob esse viés, a alta discriminação de pessoas com autismo tem como causa a falta de diálogo e discussão acerca dos direitos desses cidadãos no país. Nesse cenário, como retrata Habermas, sociólogo da Escola de Frankfurt, a ação comunicativa deve ser feita para se obter uma sociedade democrática que contenham todos os direitos dos indivíduos. Sem ela, direitos, deveres sociais e o conhecimento são corrompidos e parcelas da população são excluídas. Com essa perspectiva, como consequência, as pessoas com o espectro autista são discriminadas e estudos acerca de inúmeras deficiências sociais e comportamentais são deixadas de lado. Ilustra-se, como exemplo, segundo dados de pesquisa da USP, a demora na inclusão do autismo na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde. Portanto, a falta de diálogo sobre a síndrome autista corrobora o atraso nos direitos humanos e a discriminação sobre essas pessoas.
Em segunda análise, a dificuldade de inclusão de indivíduos com autismo passa pela falta de preparo social para o atendimento a eles. Nesse viés, segundo Marx, em sua teoria sobre as classes, uma infraestrutura, ligada ao capital, gera uma superestrutura, como a cultura, política, sociedade. Analogamente a essa conjectura, o tratamento dado às pessoas com espectro autista opera: ao não ter informações concretas sobre como a pessoa autista interage e dinamiza suas relações, a sociedade dificilmente saberá lidar elas. Cita-se, como exemplo, segundo o jornal O Tempo, o alto índice de rejeição em matrículas de crianças com muitas síndromes, especialmente a da categoria autista. Assim, a falta de preparo institucional e social rejeita tudo o que seja diferente do dito normal.
Dessa forma, os desafios de inclusão de pessoas com autismo passam tanto pela falta de comunicação social acerca dessa síndrome, quanto pela falta de preparo social para receber essas pessoas. Diante disso, o Estado brasileiro, por meio do Legislativo, deve criar leis que estimulem o diálogo e instrução social sobre o espectro autista, seja com comunicação e conscientização por meio da internet ou televisão, seja com a dinamização do conhecimento em instituições de ensino, como em universidades e escolas. Isto posto, as pessoas com autismo estariam mais aptas a viver numa sociedade mais informada e respeitável, obtendo melhores condições de vida e aptidão social inclusiva.