Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 15/11/2021
Na série “Atypical”, produzida pela Netlfix, é abordada a trajetória de Sam, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que é exposto a uma realidade pouco inclusiva. Não distante da ficção, o cenário vivenciado pelo protagonista é experimentado em totalidade pelos indivíduos acometidos pela síndrome, no qual, há a presença categórica de exclusão social e política, que, por sua vez, contribuem diretamente para a intensificação dos desafios relacionados à temática. Dessa forma, faz-se necessário discorrer sobre os fatores que fortalecem os obstáculos gozados pelos autistas no Brasil, com destaque para a alienação da sociedade e a inobservância estatal.
Primeiramente, é necessário avaliar a problemática com ênfase no âmbito social. Segundo o pensamento ilustre de Francis Bacon, o conhecimento é a maior fonte de poder existente. Sob essa óptica, a sociedade atual contraria a máxima do filósofo com a sua alienação no que concerne à questão. Desse modo, a ignorância a respeito dos aspectos clínicos comuns da doença, bem como o espectro diverso que o caracteriza, colabora não somente para o atraso no diagnóstico médico-familiar, mas também para a exclusão imperativa que cerca suas vidas. Assim, o corpo civil brasileiro repousa em uma inércia que aparenta conveniência, entretanto, é responsável por projetar uma comunidade fundamentada na omissão e na exclusão de seus semelhantes.
Além disso, cabe avaliar o papel do Estado na temática. De acordo com a Constituição Federal de 1989, um de seus objetivos fundamentais está relacionado com a construção de uma sociedade livre, justa e igualitária. Dentro desse contexto, o desenvolvimento idealizado pelos deputados constituintes torna-se cada vez mais intangível, haja vista que o governo é omisso no tocante à igualdade e na representatividade do autista no Brasil. Sob esse prisma, o poder executivo é demarcado por uma inoperância crescente que, pode ser, inclusive, comprovada pela ausência de políticas públicas que objetivem a inserção dos autistas no corpo social. Logo, esses aspectos cooperam para o fortalecimento do estigma e para a ausência de inserção civil na causa.
Por fim, é mister que o Poder Estatal tome medidas que visem a mitigação da vicissitude relacionada à problemática. Portanto, cabe ao Ministério da Cidadania – órgão responsável pelo planejamento de políticas de desenvolvimento social – atuar na implementação de campanhas públicas informacionais sobre autismo para o corpo civil, por meio do amplo uso das mídias sociais, com a finalidade de reduzir os desafios que permeiam a inclusão igualitária dos portadores de TEA. Destarte, o Brasil caminhará para a consolidação de uma sociedade preconizada, não somente pela Constituição Cidadã, mas também distante da enfrentada por Sam, no seriado televisivo.