Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 15/11/2021

O filme “Exatraordinário” retrata a vida de Auggie Pullman, uma criança com deformidade facial, que busca se adaptar ao ambiente escolar enquanto lida com preconceitos. Assim como na obra, a inclusão de deficientes enfrenta desafios, principalmente com os autistas no Brasil. Essa problemática é fruto da discriminação estrutural e da ineficiência estatal em inserir pessoas com determinada anomalia na sociedade. Sendo assim, é necessário entender essa adversidade a fim de combatê-lá.

Em primeiro lugar, a intolerância enraizada corrobora a estigmatização de autistas. Esse fenômeno ocorre porque certa parcela da população possuí pensamentos capacitistas, isto é, desacatam pessoas com necessidades especiais por julgarem que são anormais. O revés citado ocorre em virtude dos mesmos não seguirem o Imperativo Categórico de Kant, que diz que o indivíduo deve agir segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal, ou seja, deveriam tratar todos de forma homogênea, tendo em vista que a disseminação de ódio não deve ser vista como norma global. Portanto, é imperativo entender o papel que a nação brasileira tem em colaborar com a discriminação aboradada.

Em segundo lugar, a indigência do Estado implica na não inclusão de autistas no cotidiano tupiniquim. Conforme expresso na obra “o Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimmenstein, o estatuto brasileiro de 1989 promove direitos não assegurados na prática, ou seja, estabelece-se uma “cidadania de papel”. Sob a perspectiva do autor, a carência de medidas públicas em subsidiar os cidadãos, como aqueles com anomalias, reforça o descaso com a sociedade, que tem como consequência a marginalização desses indivíduos. Segundo o quinto Artigo da Constituição: todos são iguais perante a lei, logo, comprova-se tal “cidadania de papel”, já que, com base no exposto, o item não corresponde a realidade. Em suma, é necessário solucionar essa questão para trabalhar em prol do coletivo.

Com base no exposto, é inequívoco que a inclusão de autistas no Brasil enfrenta desafios. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, orgão responsável por promover ações para melhorar o ensino, criar campanhas em escolas, como rodas de conversas e brincadeiras elucidativas, com a finalidade de lecionar aos alunos o diagnóstico de pessoas com autismo e suas excepcionalidades. Além disso, concerne ao Ministério Público criar plataformas onlines, que são os canais mais acessíveis, como aplicativos, com a função de ajudar famílias com indivíduos especiais à acessar seus direitos e receber auxílios públicos. Sendo assim, a realidade de um país despreparado em ajudar cidadãos com necessidades fique apenas na memória.