Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 16/11/2021

Na obra “Utopia” de Thomas More é retratada a história de uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa, na realidade brasileira atual, é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios da inclusão de pessoas com autismo impedem a concretização da teoria de More. Dessa forma, podemos analisar que a desinformação por parte da sociedade sobre tal questão, juntamente com a má aplicação das leis, são fatores que corroboram a ploblemática.

Sob essa perspectiva, é importante destacar que concepções errôneas sobre essa síndrome estão entre as causas desse mal. Seguindo essa lógica, o filósofo Immanuel Kant, em seu estudo sobre o entendimento humano, aborda a necessidade de priorizar a razão para alcançar o esclarecimento e emancipação dos homens. No entanto, contrariando tal princípio, prevalecem na cultura brasileira juízos infundados e irracionais acerca de pessoas com autismo, como por exemplo, a associação desses indivíduos à lerdeza, à apatia, ou até mesmo à grosseria, sem levar em consideração a dificuldade que os autistas possuem em socializar, principalmente em ambientes desconhecidos e com sons “altos”. Sendo assim, estigmas sociais dificulta incluí-los em sociedade.

Além disso, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Para o filósofo Aristóteles, a poética deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o destratamento a esses indivíduos rompe essa harmonia, haja vista que, embora previsto em constituição o direito à igualdade e inclusão social, esse direito é negligenciado, pois muitas escolas negam matrículas a deficientes, incluindo autistas, alegando não ter suporte para ampará-los. Sendo assim, tal ação deveria ser considerada ilegal, pois fere o direito previsto pela Magna Carta.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar o impasse. Logo, cabe ao Ministério da Educação a divulgação de campanhas midiáticas - que contenham informações como as particularidades dos autistas, o motivo pelo qual devemos tratá-los com igualdade e inclusão, além de instruir os pais a denunciar escolas que não os aceitarem. Essa ação deve ser realizada por intermédio das redes sociais, já que alcançam um maior número de pessoas. Desse modo, a sociedade brasileira caminhará rumo a utopia de More.