Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 18/11/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é isento de problemas. No entanto, esse cenário não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa os desafios para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil, essa dificuldade de inseri-los no meio coletivo tem como pilares: a negligência governamental para com o tema e o déficit no sistema educacional.
Nesse contexto, é válido ressaltar que a negligência governamental para com a problemática a potencializa. Esse quadro de inoperância das esferas públicas de poder exemplifica a teoria das instituições zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia sem cumprirem suas funções. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, o Brasil pode ser visto como um país pouco preocupado com as pessoas portadoras de autismo. Segundo um folheto publicado no site “O que acontece no mundo da lua”, no cenário brasileiro existem cerca de 2 milhões de autistas, e mesmo com esse grande número de pessoas afetadas por esse distúrbio, não é comum ver o Estado debater sobre essa questão. Logo, é imprescindível uma tomada de atitude por parte do governo.
Ademais, é preciso apontar o déficit no sistema educacional como um agravante do empecilho em pauta. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Desse modo, fica claro que, se houvesse uma discussão nas escolas sobre o transtorno do espectro autista, certamente os alunos cresceriam com uma postura mais consciente e um olhar crítico aprimorado para lidar com questões sociais. Logo, é importante a abordagem desse tema nas escolas.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar o impasse. Para isso, é importante que o Estado, por meio de maiores investimentos no setor de educação, desenvolva um projeto que capacite ainda mais os preofessores das escolas de ensino fundamental, para que esses profissionais possam realizar, nas salas de aula e em grandes eventos de saúde, palestras sobre o autismo. Essas explicações devem ter como finalidade o aprimoramento do olhar crítico-social dos ouvintes. Assim, espera-se alcançar a sociedade retratada por More em sua obra.