Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 18/11/2021
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. De maneira análoga a isso, esta tese somente é vista na teoria, visto que na prática persistem os desafios da inclusão das pessoas com autismo no Brasil. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: lacuna educacional e impassibilidade dos indivíduos na sociedade.
A priori, evidencia-se a lacuna educacional como agravante no revés. Para Paulo Freire, pedagogo brasileiro, as instituições escolares devem abandonar a metodologia exclusivamente tecnicista, dando lugar à construção transformadora embasada na conscientização social. No entanto, os espaços educativos, por vezes, ao passo que priorizam o conhecimento técnico, não preparam os indivíduos para a inclusão social de pessoas com autismo, o que, por conseguinte, ocasiona na exclusão desta parcela social que necessitaria de apoio da sociedade, visto que necessitam de cuidados especiais, dado a dificuldade de se relacionar imposta pela condição. Destarte, a fim de ir ao encontro do pensamento de Freire, a conduta escolar precisa ser repensada urgente.
Ademais, é notória a impassibilidade dos indivíduos na sociedade como coadjuvante na questão. Acerca disso, o ‘‘Imperativo categórico’’, conceito trabalhado pelo filósofo prussiano Kant, afirma que os indivíduos devem agir com base em ações as quais gostaria de ver aplicadas como uma lei universal. No entanto, parte considerável do tecido civil, em vez de oferecer suporte as pessoas com autismo - o que poderia ser feito mediante mobilizações sociais logo nos primeiros escolares para desde cedo incluí-los socialmente, por exemplo -, age com indiferença e descaso. Isso promove, pois, uma nefasta conjuntura de vulnerabilidade e exclusão social daquelas que não estão de acordo com a ‘’normalidade’’ imposta socialmente. Logo, é preciso fazer valer, na prática, a máxima Kantiana, com vistas ao bem estar social.
Depreende-se, a adoção de medidas que venham a reduzir os desafios da inclusão social de pessoas com autismo no Brasil. Por consequência, cabe ao governo federal, por meio do Ministério da Educação, incumbido de garantir o progresso do ensino brasileiro, implementar na grade curricular, disciplinas voltadas à educação coletiva e inclusiva. Assim, mediante aulas que discutam a igualdade perante aos cidadãos de uma comunidade, demonstrando que todos possuem os mesmos direitos, a fim de promover uma conscientização em massa para os discentes, engajando a coletividade em todos. Somente assim, a tese iluminista poderá se confirmar.