Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 19/11/2021
O quadro “O Grito”, do expressionista Edvard Munch, retrata o medo e a desolação de um personagem envolto em um ambiente caótico. Para além da obra, no momento atual brasileiro, o sentimento de muitas pessoas autistas que sofrem para se relacionarem em sociedade é, em grande maioria, semelhante ao ilustrado pelo artista. Diante dessa perspectiva, faz-se necessário a análise dos fatores que favorecem essa conjuntura, tais como, a negligência governamental e a aversão das pessoas sobre a doença.
A priori, é imperiosos destacar que a ausência de medidas governamentais potencializa a problemática. Esse contexto de omissão governamental exemplifica as “Instituições Zumbis”, teoria do sociólogo Zygmunt Bauman, aonde as instituições sociais, presentes na sociedade, não cumprem seu papel com eficácia. Nesse sentido, é evidente a inoperância das autoridades, já que, faltam centros médicos especializados para o tratamento da doença, a falta de pesquisas sobre austismo, tendo em vista que, ela só foi colocada na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde no começo dos anos 90. Sob tal ótica, faz-se preciso uma intervenção estatal.
Outrossim, é importante salientar a repulsa, de certa parcela da sociedade, contra quem sofre de autismo. Segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, existe hoje um caso de autismo a cada 110 pessoas no mundo todo. Dessa forma, estima-se, que o Brasil com pouco mais de 200 milhões de habitantes, tenha-se quase 2 milhões de casos da doença no país. Diante de tal exposto, é importante a democratização acerca do tema, já que, grande parcela da sociedade sofre da doença, mas ainda sofrem preconceito da maioria da população, dificulta-se, assim, o exercício dos seus direitos garantidos por lei. Logo, é inadmissível que esse quadro perdure.
Depreende-se, portanto, que são necessárias ações para mitigar os desafios da inclusão social de pessoas com autismo no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de verbas, construir centros especializados para a doença e fomentar pesquisas na área, a fim de melhorar o tratamento acerca do autismo. Ademais, urge, do Ministério da Educação junto das grandes mídias, por modo de propagandas e palestras em escolas, tornar-se de conhecimento geral o que é o autismo, como uma pessoa autista enxerga a sociedade, com a finalidade de acabar com o preconceito diante da doença. Espera-se, assim, que o quadro de Edvard Munch passe a, não mais, representar as pessoas que sofrem da efermidade.