Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 24/02/2022
A teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, revela um contexto de inoperância das esferas de poder, uma vez que, as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Para além da tese proposta pelo estudioso polonês, observa-se na conjuntura brasileira contemporânea, a existência de desafios na inclusão de pessoas com autismo, intensificados por negligência governamental, que atesta a ideia supracitada, é por fatores vinculados ao diagnóstico precoce do transtorno.
A princípio, pode-se notar que a indiligência do Estado potencializa a dificuldade de inclusão. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, inúmeras escolas do governo permanecem despreparadas para receber crianças portadoras do Transtorno do Espectro Autista (TEA), já que as mesmas necessitam de um apoio diferenciado, como a presença de um tutor que as acompanhe individualmente e que, por vezes, não há profissionais suficientes na rede pública para suprir tal demanda. Acresça-se a isso, que o autismo interfere nas habilidades verbais, sociais e comportamentais, possuindo uma variedade de sintomas e intensidades. Logo, é de suma importância que o ambiente escolar esteja preparado para lidar e incluir os indivíduos portadores do TEA.
Outrossim, é igualmente preciso apontar a escassez de diagnóstico precoce como outro fator que contribui para a manutenção da problemática. Posto isso, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 1% da população tem autismo. Porém, a maior parte dos membros desse espectro, provavelmente, não foram diagnosticados, quando na realidade deveriam ter iniciado tratamento desde os primeiros anos de vida, tornando mais fácil a inclusão do adulto na sociedade, pois com o treinamento adequado alguns indivíduos atingem um grau razoável de independência.
Dessarte, a fim de oferecer um espaço escolar adequado e a assistência à autistas nas instituições públicas, é preciso que o Estado aumente a quantidade de tutores, por meio das disponibilização de concursos para preenchimento das vagas, oferecendo um retorno financeiro como forma de incentivo. Espera-se, assim, que a teoria das Instituições Zumbis permaneça apenas em plano teórico.