Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/03/2022

No livro ‘‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’’, o realista Machado de Assis eviden-cia o preconceito do protagonista com a deficiência da jovem Eugênia, que era ‘‘co-xa’’. Apesar de ter sido produzida no século XIX, a obra se assemelha aos dias atua-is, haja vista que a falta de inclusão de pessoas com autismo permanece no Brasil, abrindo espaço para o preconceito com tal deficiência. A dificuldade inclusiva não ocorre somente pela negligência governamental nas escolas, mas também pelo pouco conhecimento científico sobre o autismo.

É relevante abordar, primeiramente, o quanto a escola primária é fundamental pa -ra a inclusão autista. Embora a educação pública esteja disponível para todos, a falta de atividades específicas e profissionais especializados a torna excludente pa-ra crianças autistas. Com a sensação de não pertencimento ao ambiente escolar pú -blico, muitos pais de tais crianças as colocam para estudar em casa, o que as torna ainda mais excluídas socialmente.

Consoante a isso, é indubitável que a escassez de conhecimento sobre o autismo aumenta a probabilidade de preconceito contra a deficiência. Mesmo que no Brasil existam quase 2 milhões de autistas, a doença só foi adicionada à Classificação In- ternacional de Doenças em 1993, segundo o site da Universidade de São Paulo. In-felizmente, a falta de pesquisas sobre o autismo gera o pouco entendimento da po- pulação brasileira sobre tais pessoas, e assim, a maioria não sabe lidar com as qua- lidades e características dos autistas.

Portanto, diante dos fatos citados, fica claro que o Governo deve investir financei-ramente no conhecimento escolar e científico, com a contratação de profissionais habilitados ao manejo de crianças autistas e fornecendo um orçamento maior na área de pesquisa sobre o autismo. Assim, a realidade brasileira se distanciará da realidade vista na obra machadiana, e os autistas desfrutarão da inclusão e do fim do preconceito.