Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 16/03/2022
O livro “Querido John”, escrito por Nicholas Sparks, tem como um de seus conflitos a relação conturbada e cheia de preconceitos de um menino com alto grau de autismo e sua família. De maneira análoga, o cenário nacional atual apresenta estigmas associados a essa doença, visto que pouco se sabe a respeito do tema. Isso acontece, principalmente, pela falta de investimento em pesquisas relativas a essa síndrome e, pela representação midiática insuficiente.
Primeiramente, é válido ressaltar que o autismo ainda é uma doença que possui diagnóstico impreciso e indetectável em testes genéticos ou qualquer tipo de exame corporal. Assim, fica evidente que existe uma necessidade primordial de encontrar mais informações sobre o transtorno, por meio de estudos técnicos e clínicos. No entanto, as prioridades invertidas do governo brasileiro colocam essa premência em segunda instância. Um exemplo claro está no fato de que, no ano de 2022, foram retirados 600 milhões na verba do fundo de ciência e pesquisa e acrescidos 3,4 bilhões no fundo eleitoral.
Ademais, a carência de representatividade por parte da mídia fomenta discursos preconceituosos relacionados a doença. Nesse sentido, a série “Atypical”, da plataforma de streaming Netflix, apresenta as adversidades da vida de alguém com autismo, assim como a forma com que essa pessoa pensa e age. Apesar de ser um exemplo de representação desse grupo pela imprensa, se trata de uma exceção, uma vez que faz parte de uma ínfima seleção de produções que tratam do tópico. Desse modo, conclui-se que há negligência com relação a mídia e a maneira como ela aborda a síndrome em pauta, o que intensifica preconceitos.
Portanto, cabe ao Estado priorizar e patrocinar pesquisas que ajudem a entender mais sobre essa área da saúde. Para isso, deve desenvolver fundos monetários direcionados para o campo de ciência e pesquisa, por meio de ações de cunho executivo e legislativo. Paralemamente, a mídia, instrumento de ampla abrangência, deve desenvolver campanhas de inclusão, em filmes, novelas e séries, de personagens com autismo, a fim de normalizar a presença desses na sociedade. Somente assim será possível minimizar a discriminação dessas pessoas no Brasil e incluí-las de maneira digna no corpo civil, ato de fundamental importância para viverem com integridade.