Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 15/04/2022

Na série “Atypical”, promovida pela plataforma de streaming Netflix, Sam é um garoto com transtorno autista que tem dificuldades em firmar relações interpessoais, encarando diversos obstáculos ao longo da trama. Análogo à ficção, o cotidiano enfrentado por Sam se assemelha ao cotidiano de pessoas autistas no Brasil, que são estigmatizadas e excluídas do círculo social. Portanto, deve-se analisar os desafios na inclusão dessas pessoas no Brasil.

Em primeira análise, esse estigma está relacionado à falha no sistema educacional brasileiro. Segundo Paulo Freire, ilustre educador brasileiro, a educação ideal deve se afastar do preconceito e desenvolver habilidades socioemocionais, como respeito e empatia, não visando fomentar somente o ensino técnico-científico. Assim, evidencia-se que o modelo educacional vigente no Brasil contrapõe a ideia de Freire, na medida em que segue os padrões conteudistas das escolas e secundariza o desenvolvimento socioemocional dos alunos, o que tece um cenário no qual os educandos não lidam com as particularidades das pessoas com autismo, colocando-as frente à marginalização social.

Ademais, os direitos dos cidadãos com essa síndrome são omitidos pela negligência governamental no que tange ao tema. Nesse sentido, o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein define em seu livro, intitulado “cidadão de papel”, que os direitos são garantidos na teoria, mas não são efetivados na prática. Portanto, os indivíduos com transtorno de espectro autista têm seus direitos secundarizados pelo governo, dado que faltam incentivos à pesquisas na área, assistência psicológica garantida e medidas conscientizadoras para a população sobre o transtorno.

Diante do exposto, é dever do governo investir em pesquisas e implementar programas de assistência psicológica voltada ao tratamento e diagnóstico da síndrome, visando garantir os direitos dos cidadãos com autismo e integrá-los ao corpo social. Também, cabe ao Ministério da Educação reformar o modelo educacional vigente afim de formar alunos com habilidades socioemocionais desenvolvidas, capazes de lidar com a pluralidade dos indivíduos.