Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 11/05/2022
A filósofa Lúcia Helena Galvão afirma que os seres humanos foram capazes de evoluir e se destacar de humanoides pré-históricos devido a grande capacidade de cooperação e empatia que conseguiram desenvolver ao longo do tempo. Entretanto, fica evidente a predominância de valores contrários aos citados pela filósofa no contexto da falta de inclusão de pessoas autistas no Brasil. Nesse sentido, emerge um problema em função de uma lacuna na educação e da negligência do governo.
Sendo assim, em primeiro plano, vale destacar que a forma como o assunto é pouco debatido nas escolas brasileiras é uma causa evidente da problemática. De acordo com o filósofo alemão Schopenhauer, o modo como um indivíduo encara o mundo é moldado pelo conhecimento que ele possui. Portanto, fica claro que a lacuna no ensino sobre as características de pessoas autistas, respeito e normalização delas, bem como maneiras de lidar com particularidades desse grupo, faz que a sociedade não enxergue ou encare com estranheza esses indivíduos, dificultando a inclusão social deles.
Ademais, a negligência governamental é responsável pela manutenção da questão. Segundo a teoria do Contrato Social de John Locke, a sociedade está organizada de forma que os indivíduos cedem parte da sua liberdade ao Estado a fim de que ele lhes garantam o acesso a direitos básicos. Entretanto, essa configuração não acontece na prática, haja vista que a falta de medidas governamentais para a inclusão de pessoas autistas na sociedade desrespeita os direitos desse grupo ao contribuir para a exclusão social dele.
Dado o exposto, fica claro que uma intervenção faz-se necessária. Para tal, cabe ao governo, acabar com a lacuna na educação e conscientizar a população por meio de debates e palestras nas instituições de ensino - obrigatórios para os alunos e abertos ao público - os quais deverão ensinar a todos a normalizar e respeitar pessoas autistas e sobre maneiras de lidar com as características desse grupo para que elas se sintam o mais confortável possível para viver em sociedade.