Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 17/07/2022
Oficializada no início do século 21, a Lei Antimanicomial tem como principal propósito defender os direitos de pessoas com deficiências e transtornos mentais no Brasil. Entretanto, com a falta de informação acerca do tema que acomete a população, a inclusão de pessoas autistas ainda é um desafio na sociedade brasileira.
A princípio, a ignorância da sociedade no que se refere ao Transtorno do Espectro Autista, ou TEA, é a principal catalisadora para a exclusão destes cidadãos. Prova disso, é a reascensão da crença negacionista que atribui a vacinação infantil como causadora do TEA. Esta crença, sugerida primeiramente pelo pesquisador Andrew Wakefield em 1998, apesar de contestada poucos anos depois, é o reflexo de como a estigmatização do transtorno ainda impossibilita a total inclusão de pessoas autistas no meio social.
Ademais, é importante considerar o papel das mídias cinematográficas nessa problemática. A escassez de representações autistas verossímeis no cinema, por exemplo, corrobora com o sentimento de estranheza sobre o assunto. Isso é visível diante a obra “Rain Man” que, apesar de conter a primeira persona autista do cinema, contribuiu intimamente com a desinformação sobre o TEA, por meio de seus personagens extremamente estereotipados, que ajudaram a solidificar preconceitos já existentes na sociedade.
Por fim, assim como a Lei Antimanicomial, a Constituição de 1988 garante o direito de inclusão de todo e qualquer cidadão brasileiro. Por esta razão, faz-se necessária a criação de um Ministério da Inclusão, por meio do Poder Executivo, que vise não apenas educar a população, com o uso de palestras socioeducativas, mas também inibir a disseminação de crenças negacionistas acerca do tema, de forma que o estigma que oprime essa parte da população seja refreado. Além disso, é importante que, por meio de plataformas digitais e da criação de campanhas publicitárias, com o suporte do Ministério da Cultura, o governo incentive maior representatividade do TEA na mídia. Desta forma, os obstáculos que impedem a total inclusão de pessoas autistas na sociedade poderão ser ultrapassados e os direitos previstos na Lei Antimanicomial poderão ser colocados em prática.