Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 18/07/2022

Durante a Segunda Guerra Mundial, a teoria do Darwinismo social era amplamen-te utilizada para justificar as práticas nazistas, por exemplo, o extermínio de porta-dores de deficiência. Ainda que a violência, atualmente, tenha se tornado velada e se configurado na forma de exclusão social, pessoas acometidas com o Transtor-no do Espectro Autista (TEA) são explicitamente vítimas da invisibilidade social na atual conjuntura brasileira. Dessa forma, faz-se necessária a reversão dos quadros de tratamento inadequado e apagamento enraizados no corpo social.

Nesse viés, o chamado “tratamento especial” inviabiliza a socialização efetiva den-tro das diferentes necessidades existentes no espectro, podendo causar extremo desconforto aos portadores já que, muitas vezes, a comunicação é caracterizada pela infantilização. Analogamente, a série “Uma advogada extraordinária” retrata os desafios de ser um adulto autista na hipermodernidade através da personagem Young-woo, destacando-se entre eles as descrenças em suas habilidades profis-sionais. Em resumo, se torna essencial revisitar e corrigir a origem de tal visão.

Ademais, o sociólogo Georg Simmel introduz o conceito da “atitude blasé”, que reporta a conduta indiferente e até neutra tomada em situações que deveriam ser tratadas com importância. De maneira análoga, a sociedade brasileira contempo-rânea é caracterizada pela letargia diante da mudança de hábitos, provocando apa-

gamento de pautas discutidas hoje, mas que no passado eram omissas, inclusive a inclusão dos indivíduos com TEA. Em síntese, é imprescindível e imediata mudança desse cenário.

Em suma, visando a solução dos desafios que dificulta a inclusão efetiva das pessoas com autismo, é urgente a atuação do Estado diante da problemática. Logo, é crucial a intervenção da Secretaria Especial de Comunicação Social - responsável por divulgações midiáticas - com campanhas de conscientização sobre os diversos transtornos inseridos no espectro autista, por meio de divulgação televisiva e nas redes sociais. Desse modo, criando uma rede de conhecimento que será difundido nas diversas camadas sociais. Por fim, criando um cenário propício para a inclusão social para não caminharmos para o retrocesso e para as antigas práticas e crenças nazistas.