Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 29/07/2022
Na série “The Good Doctor”, é retratado a vida de Shaun Murphy, um jovem médico com transtorno espectro do autismo (TEA), que sofre dificuldades para se inserir no novo ambiente de trabalho em virtude de sua deficiência. Fora da ficção, a realidade brasileira não se difere da trama no que tange aos desafios da inclusão de pessoas com autismo na sociedade. Urge, portanto, a análise de causas que fomentam esse revés, dentre as quais se destacam a falta de informação da população e a ineficiência das instituições de ensino.
Em primeira análise, é fulcral pontuar o desconhecimento da sociedade sobre o TEA como principal promotor do problema. Segundo o filósofo Karl Marx, em sua teoria do “Silenciamento dos Discursos”, alguns temas são omitidos da sociedade a fim de se ocultar as mazelas de um determinado grupo social. Nessa lógica, pouco se sabe sobre a doença e a falta de informação faz com que muitas pessoas vejam os autistas como indivíduos problemáticos, os quais não se encaixam na estrutura social. Dessa forma, é notório que a desinformação cria um ambiente propício para o preconceito, comprometendo a harmonia do coletivo.
Ademais, é válido salientar a ineficiência das instituições de ensino como impulsionadora do empecilho. No seriado “Atypical”, Sam Gardner, um garoto diagnosticado com autismo, sofre uma crise na escola e não possui nenhum tipo de apoio, sendo vítima de piadas por seus colegas. Paralelamente, no Brasil, o despreparo das escolas contribui para a inclusão dos jovens que possuem TEA. De acordo com o G1, menos de 30% das escolas possuem preparo para receber alunos autistas,como aulas adaptadas e infraestrutura qualificada. Nesse ínterim, é perceptível que a negligência escolar acarreta no agravamento do quadro.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para resolver o impasse. Dessarte, com o intuito de garantir a inclusão dos autistas na nação, é necessário que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na promoção de palestras anti-discriminató-rias, com o auxílio das ferramentas midiáticas, como jornais, TV´s e internet. Somente assim, atenuar-se-á em médio e longo prazo o impacto nocivo do problema, e a sociedade se afastará da realidade retratada em “The Good Doctor”.