Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 07/08/2022
Ao longo do século XX, houve o fortalecimento de políticas eugenistas que determinavam as características físicas e mentais aceitas, restringindo, assim, o acesso às instituições sociais, apenas as pessoas consideradas normais. De forma análoga, tal pensamento ainda se perpetua, visto que, os indivíduos autistas sofrem com o preconceito e com a dificuldade de acesso à educação e aos tratamentos de saúde. Portanto, depreende-se que práticas segregacionistas precisam ser superadas para promover a inclusão.
Por esse viés, é evidente a tentativa da sociedade em padronizar os indivíduos. Esse cenário é representado no curta-metragem, “Float”, da Pixar, no qual um bebê nasce com a habilidade de flutuar e, por isso, o pai o esconde e determina a ele que não use suas habilidades, na tentativa de que o filho seja aceito. Posto isso, percebe-se que embora fictício, o filme assemelha-se a realidade vivida pelos autistas, devido às pressões sociais sofridas para agirem de forma “normal”. Dessa forma, é notório que o preconceito é um grande desafio na vida dessas pessoas.
Ademais, há uma incapacidade das instituições públicas em serem democráticas. Nesse sentido, para o geógrafo, Milton Santos, quando os direitos não atingem a totalidade do corpo social tornam-se privilégios para uns e mutilação para outros. Com isso, a falta de profissionais e equipes multidisciplinares preparadas para lidar com autistas em hospitais, escolas e empresas dificultam o exercício pleno da cidadania. Desse modo, é necessário que haja um fortalecimento das instituições públicas e a promoção de políticas de inclusão para a superação dos desafios enfrentados por esses indivíduos.
Destarte, é mister que o Estado - instituição responsável pela garantia de direitos constitucionais - promova aulas de ética e cidadania, por meio do aumento da carga horária de humanidades na BNCC. Outrossim, os ministérios, como o Ministério da Saúde implemente projetos de capacitação de profissionais, mediante a disponibilização de cursos. Tudo isso, a fim de promover as bases necessárias para a construção de uma sociedade inclusiva e, então, acabar com as “raízes” eugenistas presentes na sociedade.