Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 26/09/2022
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração dos Direitos Humanos garante a todo e qualquer cidadão direito à saúde, educação e bem-estar social. Conquanto, os obstáculos da inclusão de pessoas autistas no Brasil impossibilita que essa parte da população desfrute desse direito básico, tendo em vista os estigmas relacionados a este espectro. Além disso, a ausência de políticas educacionais nas escolas brasileiras pode gerar a exclusão de crianças com o transtorno.
A priori, é válido reconhecer que o panorama supracitado é subproduto do individualismo presente na sociedade atual. Quanto a essa questão, a obra do sociólogo polonês Zygmunt Bauman intitulada de “Modernidade Líquida”, explicita como as relações atuais são maleáveis e pouco concretas. Uma das características da sociedade líquida é a expansão do “eu”, ou seja, os projetos coletivos são cada vez menos importantes. Essa linha de pensamento se aplica ao contexto brasileiro quando observado na sociedade por meio da ausência de empatia das pessoas para com portadores de autismo, que muitas vezes são vítimas de comentários discriminatórios e preconceituosos.
Ademais, em consonância com o problema supracitado, observa-se uma enorme carência de recursos na área da educação que atendam às necessidades de crianças e adolescentes que possuem o espectro. Na série coreana “Advogada Extraordinária”, a protagonista - antes de concluir a faculdade de direito - enfrentou diversos obstáculos durante a vida escolar por possuir o Transtorno do Espectro Autista (TEA), as escolas que frequentou não eram equipadas adequadamente. Fora do enredo ficcional, tal realidade é frequente em escolas brasileiras, públicas e privadas, pois o número de alunos que não possuem TEA é muito superior aos que possuem.
Dessarte, é mister que o Ministério da Cidadania, enquanto máxima instância dos aspectos relacionados às políticas públicas do país, promova a ampliação de debates a respeito dos obstáculos da inclusão do autista no Brasil. Tal ação pode ser feita por meio de palestras que incluam especialistas no assunto para auxiliar as discussões. Dessa forma, os direitos promulgados em 1948 podem ser desfrutados por todos.