Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/10/2022
Na série “As we see it”, Violet é infantilizada por sua família, que ao definirem ela somente por seu espectro autista, não a veem como madura o suficiente para viver como uma típica adulta. Assim como na ficção, na vida real pessoas no espectro são vítimas de capacitismo e marginalizadas pela sociedade, demonstrando que não há inclusão destas em espaços geralmente neurotípicos, especialmente no Brasil, onde casos de tratamento de autismo são escassos. Tal inclusão não ocorre, pois o diagnóstico e o tratamento dessa síndrome são limitados, já que são muito raros na rede pública de saúde, o que, consequentemente, gera a falta de uma inserção saudável destes em locais coletivos, como escolas ou empresas, tornando a população comum alheia e intolerante aos portadores do espectro.
Primeiramente, deve-se analisar como a falta de diagnóstico e tratamento precoce afeta negativamente a inclusão. Segundo o órgão de pesquisa do governo estadunidense, crianças de até 4 anos tem 50% mais chances de ser diagnosticada, ao comparada com crianças de 8 anos. É inegável que um diagnóstico precoce leva a um tratamento mais eficaz e uma melhor adaptação da pessoa a sociedade, porém tal situação é rara, pois a população pobre fica a mercê do sistema público de saúde, que só libera o tratamento após uma burocratização cara e inviável para as massas.
Por conseguinte, um diagnóstico tardio relaciona-se fortemente com uma má inserção nos espaços comuns, que resulta em um preconceito por parte das pessoas neurotípicas, já que não têm contato com neurodivergentes. Tal afirmação pode ser explicada pela ideia do movimento behaviorista de que comportamentos são resultados de experiências. Logo, só haverá uma inclusão dos autistas quando estes estiverem inseridos na sociedade desde a infância, porque as pessoas já estarão condicionadas a entender as diferenças e a respeita-los.
Portanto, devem ser pensadas políticas que ampliem a inclusão de portadores do espectro na sociedade. Especialmente, o Ministério da Saúde deve facilitar a busca por pedidos de diagnóstico e tratamento do autismo, por meio de uma desburocratização do sistema, de forma que todas as classes consigam diagnóstico cedo e sejam agregados a sociedade corretamente.