Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 08/11/2022
A série “The Good Doctor” narra os conflitos e os preconceitos vividos pelo
Dr. Shaun Murphy no contexto de um grande hospital norte-americano. Com efeito, as dificuldades sofridas pelo protagonista são a realidade de muitos autistas fora da ficção, o que representa grave obstáculo à verdadeira inclusão social desse grupo e exige medidas para desconstruir as posturas discriminatórias e para promover a verdadeira inclusão
A princípio, é urgente que o indivíduo contemporâneo repudie a intolerância àqueles que apresentam Transtornos do Espectro Autista. Sob essa análise, o sociólogo Gilberto Freyre defende, na obra “Casa-grande e Senzala”, que, durante a formação colonial, as diferenças eram vistas com repulsa. Assim, aqueles que divergiam do padrão eram - e ainda são - marginalizados. Ora, sempre que alguém relaciona a palavra autista a uma piada ou a um preconceito, fica nítido que a intolerância e a discriminação denunciadas por Freyre ainda permanecem como cruel realidade. Portanto, não é razoável que a sociedade do século XXI manifeste posturas arcaicas em relação à população com TEA.
De outra parte, Aristóteles desenvolveu o conceito de isonomia, segundo o qual as pessoas deveriam se ajustar às condições das outras. Entretanto, apesar de o brasileiro ser mundialmente conhecido por ser um povo receptivo, substancial parcela ainda nutre uma grave mazela social: a dificuldade de praticar a isonomia aristotélica. Nesse sentido, é justamente por essa característica social negativa que a população autista ainda está distante de experimentar a isonomia proposta pelo filósofo grego. Desse modo, enquanto o autismo for visto como doença - e não como uma característica - a verdadeira inclusão ainda permanecerá distante.
Medidas devem, pois, ser tomadas para que os indivíduos com autismo seiam tratados com dignidade. Para isso, as escolas precisam, com urgência, desconstruir o histórico preconceito enraizado desde o Brasil Colônia, por meio de eventos pedagógicos, como aulas e palestras, realizados com a participação de pessoas com TEA. Essa iniciativa teria a finalidade de promover a efetiva inclusão, de forma isonômica, de modo que os conflitos experimentados por Shaun Murphy sejam, em breve, apenas ficção.