Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 10/09/2023

Na série americana “Atypical”, o protagonista, diagnosticado com Transtorno de Espectro Autista (TEA), enfrenta diversos desafios para incluir-se na sociedade. Fora da ficção, a realidade apresentada não é diferente, visto que pessoas com TEA enfrentam dificuldade de inclusão no Brasil, tanto pelo descaso do governo quanto pela naturalização do preconceito da sociedade perante o assunto.

Sob esse viés, é importante salientar que a lei 12764 foi criada para assegurar, por parte do Governo Federal, que autistas tenham inclusão na sociedade. Todavia, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Governo vai de encontro à lei na medida em que há dificuldade em identificar o TEA, pois o Sistema Único de Saúde (SUS) não cobre o exame nem o tratamento necessário, e não há políticas públicas para inserção na sociedade. Por exemplo, segundo a ONU, há uma estimativa de 2 milhões de brasileiros autistas, porém somente 500 estão no ensino superior, pois há falta de oportunidade, como cotas sociais. Assim, esse descaso governamental prejudica o indivíduo que não conseguirá incluir-se na sociedade e, dessa forma, terá uma baixa qualidade de vida.

Além disso, a naturalização do preconceito da sociedade também dificulta a integração de autistas na sociedade. Para a socióloga Hannah Arendt, em sua teoria sobre a “banalização do mal”, a trivialização das pessoas em casos de capacitismo é prejudicial ao indivíduo e é alimentada pela desinformação criado pelo medo do diferente, como afirmava o filósofo Platão. Logo, observa-se que 55,1% já sofreu preconceito na sociedade, segundo o IEAC, e o número permanece crescendo com outros atos, como por exemplo, o movimento “antivacinas” contra a proteção com medo da vacina “trazer” autistas.

Infere-se, portanto, que há desafios recorrentes em incluir pessoas com autismo no Brasil. Por isso, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Educação e da Saúde, criar políticas públicas de tratamento e identificação do TEA, por meio do SUS, e de inclusão em escolas, por meio de especialização de profissionais e de atividades complementares para que a lei 12764 seja cumprida. Também, que a mídia, por meio de canais de telecomunicação, realize campanhas de identificação e alerta , para desmistificar o espectro, como em “Atypical”.