Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 26/07/2023

O livro português “Ensaio sobre a cegueira” relata uma epidemia em que pessoas perdem a visão. De acordo com o autor, José Saramago, a ideia da narrativa é reforçar a importância e a responsabilidade de “se ter olhos enquanto os outros os perdem”. Ánaloga a tal obra, a persistência dos desafios para a inclusão de pessoas com autismo, principalmente quanto à falta de capacitação de espaços e ao preconceito, evidenciam uma “cegueira” que deve ser combatida no Brasil.

Em primeira instância, tem-se a ineficiente orientação de algumas escolas e profissionais para o acolhimento adequado de alunos portadores da síndrome, decorrente de uma ausente política pública que oriente, de maneira efetiva, o diagnóstico pedagógico e tratamento no meio escolar. Nesse sentido, o filósofo Rousseau retrata que “o homem é fruto do meio”, o que demonstra a importância de um ambiente acolhedor e ciente das individualidades e necessidades de cada pessoa. Dessa forma, em um ambiente em que especificidades de indivíduos com autismo não são levadas em consideração, os mesmos acabam por não receberem o auxílio necessário para o tratamento e comum desenvolvimento cognitivo e social.

Em segunda instância, nota-se também o preconceito, para com pessoas com a síndrome autista, principalmente devido à falta de representatividade. Nesse viés, as intituições midiáticas, consideradas pelo sociólogo Durkheim como as principais capazes de exercer coerções sociais, pecam ao não retratarem pessoas com autismo com a frequência e a fidelidade devida, o que dificulta que a sociedade os vejam como iguais e entendam suas necessidades. Assim, forma-se um ciclo no qual o despreparo para o acolhimento e tratamento e o preconceito, viabiliza ainda mais a marginalização dessas pessoas na sociedade.

Logo, para que se resolva, inicialmente, o problema da falta da devida orientação de algumas escolas e profissionais, urge que o Ministério da Educação - um dos responsáveis por esse segmento escolar no Poder -, promova uma maior ciência sobre essa síndrome, por meio de políticas públicas como a obrigação, por parte de escolas, da execução e distribuição aos colaboradores pedagógicos de cursos voltados para o tratamento e conhecimento acerca de pessoas com autismo, de forma que necessidades sejam devidamente levadas em consideração no ambiente escolar. Além disso, as redes midiáticas devem colaborar com a maior representatividade fidedigna e frequente de autistas, como forma de ampliar o conhecimento e inclusão desses indivíduos. Assim, a “cegueira” relacionada à persistência dos desafios da inclusão de pessoas com autismo será combatida no Brasil.