Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 04/08/2023
Desde 1988, a constituição federal garante os direitos de todos os cidadãos brasileiros, visando promover o bem-estar social e a integridade coletiva. No entanto, no hodierno contexto nacional, a realidade difere do exposto na legislação, pois as pessoas com autismo sofrem com desafios para a inclusão no Brasil, seja pela falta de informação populacional a respeito desse tema, seja pela perpetuação da discriminação impulsionada pelo convívio social.
Antes de tudo, é preciso observar a relação entre desinformação e preconceito. A esse respeito, estudos feitos pela Universidade de Toronto apontam que o indivíduo naturalmente teme o desconhecido. Além disso, o filósofo Voltaire define o preconceito como a opinião formada sem conhecimento. Nesse sentido, percebe-se que a falta de informação é capaz de gerar estigmas, temores e ideais errôneos acerca do autismo na população. Com isso, as neurodivergências passam a ser tratadas como incapacitantes a as pessoas com autismo têm suas habilidades e sua relevância no contexto social descredibilizadas pelos demais cidadãos.
Outrossim, é válido ressaltar o convívio social como impulsionador do precon-ceito contra as neurodivergências. Nesse horizonte, o sociólogo Durkheim aponta que o fato social é um modo coletivo de agir e pensar dotado de exterioridade, coercitividade e generalidade. Seguindo essa linha de pensamento, se uma pessoa cresce em um ambiente no qual formas atípicas de comportamento e aprendizagem são inferiorizadas e ridicularizadas, esse indivíduo em formação tende a reproduzir tais atitudes preconceituosas na vida adulta, perpetuando o comportamento discriminatório e a segregação de geração em geração.
Portanto, faz-se mister modificar o fato social a partir da educação. Para tal, cabe ao governo, na condição de garantidor dos direitos individuais, promover uma semana da conscientização nacional sobre o autismo. Tal ação deve ocorrer por meio de palestras públicas, com o objetivo de instruir os cidadãos sobre os estigmas enfrentados pelos autistas, erradicando preconceitos. Por fim, os desafios para a inclusão de pessoas com autismo serão mitigados, efetivando as propostas da Magna Carta de 1988 no Brasil.