Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 26/09/2023
Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade em que todos possuem seus direitos assegurados de forma efetiva, além de relatar um cenário livre de problemas políticos e sociais. No entanto, a realidade brasileira é contraria ao que o autor prega, já que os desafios da inclusão de pessoas com autismo, é uma celeuma persistente. Isso ocorre, ora pelo descaso governamental, ora pelo silenciamento social.
Sob esse viés, é notório que a omissão governamental é um grave empecilho. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Entretanto, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto à falta de disponibilidade de recursos para o diagnóstico da doença, pois nem todos possuem condições de buscar um tratamento ou reconhecimento do autismo, descobrindo tarde sua condição, atrasando uma possível evolução no quadro, no qual o governo está cumprindo seu papel como agente fornecedor de direitos mínimos, gerando uma falsa sensação de cidadania.
Além disso, a falta de discussão é um grave impasse. A filósofa Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Contudo, há um silenciamento instaurado na questão da falta de conscientização para com os autistas, havendo discriminação e exclusão das pessoas que apresentam essa doença, uma vez que pouco se fala sobre isso nas mídias de grande acesso, tratando essa pauta como algo supérfluo.
Portanto, é imprescindível atuar sobre esse cotexto caótico. Para isso, o Governo Federal deve criar uma agenda específica disponibilizando tratamento e diagnóstico do autismo a todos, como um direito, por meio da organização de projetos e fundos, a fim de reverter o descaso governamental. Tal ação pode, ainda, contar com consultas públicas para entender as reais necessidades da população. Paralelamente, é preciso intervir no silenciamento presente no problema, sendo obrigatório palestras em escolas e trabalhos sobre a conscientização da doença, para formação de pessoas inclusivas e empáticas. Dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia” de More na sociedade brasileira.