Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 07/06/2024

Na série “Uma advogada extraordinária”, a protagonista, uma mulher dentro do espectro autista, precisa superar diariamente os desafios da vida adulta em uma sociedade capacitista. Em virtude disso, ela sofre rejeição em seu ambiente de trabalho e tem seu potencial desacreditado pelos demais, assemelhando-se a realidade de muitos brasileiros que vivenciam esse triste cenário. Assim, cabe analisar dois grandes propulsores desse problema: a insuficiência no tratamento ofertado pelo sistema único de saúde e a carência de profissionais capacitados nas instituições de ensino.

Em primeira análise, a precariedade da intervenção terapêutica oferecida pelo Estado está estreitamente ligada à reclusão desses indivíduos, já que é de suma importância o estímulo de habilidades sociais para inseri-los em sociedade. Nesse sentido, o sociólogo polonês, Zigmunt Bauman, define como instituições zumbis aquelas entidades que mantém suas estruturas vigentes, contudo não cumprem adequadamente seus papéis sociais. Desse modo, fica evidente o desamparo governamental de pessoas neurodivergentes, que com as ferramentas adequadas podem muitas vezes desempenhar funções importantes na comunidade.

Além disso, é fato que a maioria das escolas não possuem profissionais capacitados para lidar com a neurodiversidade, essas não têm cumprido seu papel de ensino ao não se adaptarem às demandas de alunos com necessidades especiais. Sob essa ótica, Sir Arthur Lewis, economista britânico, defende que a educação nunca será despesa, sempre será investimento com retorno garantido. Assim, entende-se que a educação inclusiva de pessoas autistas que busque de fato um ensino de qualidade terá como consequência um maior número de cidadãos funcionais futuramente.

Portanto,  é necessária a aplicação de medidas para solucionar tal problemática. Logo, o Governo Federal, deve criar políticas que obriguem as escolas a qualificarem seus profissionais, por meio de cursos de capacitação com foco na educação especial, levando ao ambiente escolar profissionais da área como psicólogos e neurologistas. Com tais medidas, será possível incluir pessoas neurodiversas no contexto social.