Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 16/09/2024
Observa-se que, de maneira análoga às rochas sedimentares, que se consolidam ao longo do tempo por meio de pequenos processos de solidificação, os desafios de inclusão de pessoas com autismo é uma questão que se instaurou lentamente, via pequenos constituintes de um todo. Dessa forma, é válido analisar o descaso estatal e o silenciamento midiático, que são as causas que dificultam o debate so-bre o tema.
Sob esse viés, a displicência de Estado representa um obstáculo na elaboração de medidas efetivas. De acordo com o jornalista Gilberto Dimentein, na obra: " O ci- dadão de papel", o Brasil é marcado pela não aplicação prática dos mecanismos le-gais assegurados na Constituição - como o direito à saúde - e pela cidadania ape-nas no campo teórico. Tal fato é demonstrado mediante a inoperância do governo de destinar verbas para promover políticas públicas capazes de garantir o atendi-mento multiprofissional adequado para diagnóstico precoce do transtorno austis-ta, pois quanto mais cedo descoberto, mais efetivo é tratamento. Logo, a falta de amparo, principalmente à população em situação de vulnerabilidade social, dificulta o diagnóstico, prejudicando o desenvolvimento de crianças, e sua intera- ção com o meio, corroborando a sua exclusão.
Outrossim, cabe mencionar a falta de debate midiático e seus impactos sociais. Conforme o filosófo Michael Foucault, na sociedade pós-modernada, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse contexto, vista a inviabilidade econômica, a ausência de discussões contribui para a discri-minação dos cidadãos com transtorno. Dessa maneira, devido a banalização midiática, mazelas são convervadas, auxiliando na perpetuação de um pensamento retrógrado e preconceituoso.
Em suma, cabe ao Ministério da Saúde - enquando responsável pelo bem-estar social- criar e investir em projetos para serem trabalhados na sociedade, os quais busquem garantir a ciadadania de autistas, por meio da criação de ambientes multiprofissionais especializados no tratamento e diagnóstico do transtorno - visto a falta de neuropediatras no SUS - a fim de assegurar o desenvolviemento dos indivíduos, com o intuito de promover sua inclusão social.