Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 30/10/2024

Em sua obra “Ensaio sobre a Cegueira”, o escritor português José Saramago descreve uma cidade fictícia, na qual, paulatinamente, as pessoas vão ficando cegas. Na trama, o autor usa dessa alegoria para criticar a falta de altruísmo e cooperação dos indivíduos no mundo contemporâneo, em que eles estão cada vez menos se preocupando com o próximo. Ao transpor a ficção e avaliar a atual realidade da nação, nota-se que a obra reflete o cenário brasileiro, visto que os obstáculos enfrentados pelos autistas para a fim de serem incluso socialmente, seja pela omissão do governo nas escolas, bem como pela desvalorização na coletividade.

De início, observa-se o impacto da desassistência governamental como fator agravante da problemática. Acerca disso, tal questão ocorre porque o desleixo estatal colabora para a resistência de se ter um desenvolvimento no país para os espectros autistas, reflentindo, por exemplo, a ausência de equitividade nos centros educacionais como profissionais que possam ofertar ensino e cuidaodos especializados para o TEA, se opondo ao que a Carta Magna de 1988 prega como direito social da educação a todo e qualquer cidadão.

Ademais, é válido destacar a questão do estigma associado aos autísticos. Sob esse viés, ocorre, de modo indolente, o preconceito que as pessoas especiais com suporte do transtorno sofrem no corpo social, devido a apresentarem comportamentos e ponderações em atividades do dia a dia, visto que, eles recebem e interpretam informações de uma maneira mais gradativa e, em virtude disso, são menosprezados e taxados como doente mentais, apresentando uma espécie de “melancolia coletiva”, teorizada pela arquiteta Ermínia Maricato, como sendo uma melancolia a repulsão social.

Portanto, pode-se perceber que o debate acerca da temática é imprescindível para a construção de um Brasil mais igualitário. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Educação promova deliberações e implementações de estratégias, por meio de palestras nos centros educacionais e ofertas finananseiras com o objetivo de incluir cuidados especiais para os autistas e dá notoriedade a importância dos mesmo na pátria, a fim de se ter fixado, na prática, uma República sem cegueiras e com empatia para com os outros.