Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 12/04/2025
A série americana “The Good Doctor” mostra os desafios que um jovem médico enfrenta em sua vida pessoal e profissional por ser autista. De forma semelhante, a realidade dos indivíduos com autismo é marcada com estigmas e resistência. Nesse sentido, convém analisar duas causas da exclusão social de pessoas autistas: a omissão estatal e o preconceito.
Em primeira análise, pode-se apontar a negligência governamental como um dos principais motivos da manutenção da problemática. Nesse contexto, o filósofo Norberto Bobbio criou o “Dicionário da Política”, a partir do qual o Estado não deveria apenas garantir direitos básicos, mas também assegurar que a população possa usufruir. A partir disso, tal tese pode ser comprovada por meio da ineficiente aplicação das leis criadas para o público autista, uma vez que, embora haja leis favoráveis à inclusão social dos portadores da síndrome, não há políticas públicas de assistência para o acesso ao mercado de trabalho – como cotas – para pessoas no espectro autista. Em suma, tal ineficiência do Poder Público não condiz com os ideais de Norberto Bobbio sobre política.
Ademais, vale ressaltar, ainda, o preconceito social como um fator que dificulta a participação ativa dos autistas na comunidade. Neste cenário, o sociólogo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Sociedade Líquida”, a fim de classificar uma sociedade intolerante à diversidade, reforçando estigmas sociais contra os que não se enquadram na normalidade. Nessa lógica sociológica, o preconceito vivido por este grupo é estrutural, visto que a representatividade midiática e a ocupação de cargos de liderança são ínfimas para indivíduos neuroatípicos, corroborando com a desvalorização sofrida por estas pessoas. Em síntese, é imprescindível que essa problemática seja revertida.
Portanto, é urgente medidas para combater os desafios apontados. Para isso, o Governo Federal deve atuar, por meio do Ministério dos Direitos Humanos, assegurando melhores condições de acesso ao mercado de trabalho por pessoas autistas, com a ampliação do sistema de cotas em concursos públicos nacionais, a fim de que estes indivíduos tenham oportunidades justas. Paralelamente, o Estado pode agir para amenizar o preconceito social sofrido pelos autistas.