Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 03/10/2019

Na obra “Utopia, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, no qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a mobilidade urbana de baixo impacto apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de investimentos do Estado, quanto da de planejamento urbano. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a ausência de investimentos deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Secundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a falta de acometimento de capital para construção de ciclofaixas, mover-se nas regiões urbanas impacta o meio ambiente. Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), 72,6% da emissão dos gases causadores do efeito estufa em São Paulo são causados pelos automóveis. Portanto, a introdução de ciclovias nas cidades diminuiria a emissão desses gases, isso porque as bicicletas não fazem uso de combustíveis fósseis. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal para garantir o bem estar das pessoas.

Ademais, é imperativo ressaltar que o crescimento espontâneo das cidades é o promotor do problema. Partindo desse pressuposto, observa-se que nos aglomerados urbanos que foram surgindo e crescendo desprovidos de planejamento existe uma carência de espaço para a construção de ciclovias. Isso retarda a resolução do empecilho e contribui para a perpetuação do problema. Contudo, com alguns estudos e aplicação de verbas é possível contornar os problemas decorrentes dessas aglomerações naturais.

Destarte, urge esforços do Governo para reverter a situação. A fim de mitigar os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio das prefeituras municipais, será revertido em ciclovias, elas serão instauradas ao lado das autoestradas. Todavia, devido ao crescimento desordenado das cidades, em algumas localidades, uma faixa por onde transitam os veículos movidos a combustíveis fósseis deverá ser substituída por uma ciclofaixa. Logo após a sua construção, deve ocorrer um incentivo para as pessoas usarem as bicicletas, a ser realizado pelas prefeituras. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da falta da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental, e a coletividade alcançará a Utopia de More.