Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 29/03/2020

A Belle époque foi caracterizada por diversas inovações tecnológicas, entre as quais os automóveis. Todavia, a invenção antes adorada é a causa, na sociedade hodierna, de impactos ambientais imensuráveis, principalmente no que concerne ao consumo desenfreado de veículos e ao desconhecimento social de alternativas sustentáveis. Sendo assim, é fulcral a tomada de medidas que mitiguem o infortúnio.

A priori, existe uma relação equivocada e direta na sociedade entre bens materiais e sucesso financeiro. Consoante a isso, o pai da psicanálise Freud desenvolveu o conceito de “Cultura do Sucesso”, no qual o indivíduo busca prosperar em todas as áreas de sua vida. Nesse âmbito, possuir, por exemplo, carro é um indicador de status social elevado, o que contribuiu para acentuar a quantidade de carros em circulação, fato contastado pelo tráfego intenso e pela piora na qualidade do ar, em especial nas grandes cidades. Destarte, é medular romper a ligação prejudicial entre veículos e êxito na vida econômica para que mais formas de locomoção alternativas ganhem visibilidade.

Outrossim, falta estímulos para que a população substitua o cenário de mobilidade atual por outro mais sustentável. Sob esta ótica iminente, o Waze, por exemplo, é um aplicativo usado como alternativa para reduzir o fluxo de veículos, pois sua função é sinalizar quando há um motorista cuja rota é caminho para o destino dos seus usuários, assim eles podem usar o outro veículo para se deslocarem. Nesse espectro, há uma redução do número de veículos e uma maximização do seus usos, dado que os assentos antes livres são utilizados. Dessarte, revela-se a imprescindibilidade de tornar frequente o uso de aplicativos semelhantes como método alternativo e mais sustentável de mobilidade nas cidades.

Portanto, com o fito de alcançar mais adeptos aos aplicativos, as iniciativas privadas que oferecem carona ou aluguel de veículos devem ampliar suas áreas de atuação por meio de propagandas midiáticas, convencendo os futuros usuários dos benefícios de usá-los. Ademais, o Ministério da Saúde, responsável pela promoção e manutenção da saúde pública, urge de dissociar a imagem de sucesso da de bens materiais por intermédio da divulgação de relatos de pessoas bem sucedidas que abdicaram dos transportes convencionais por alternativas sustentáveis, visando que mais pessoas se espelham nesses exemplos. Somente assim a invenção criada durante a Belle Époque pode não mais ojerizar a nação, porém serví-la de forma benéfica e útil.