Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 16/06/2020

Curitiba, desde os anos 1990, é um exemplo de mobilidade urbana sustentável, com iniciativas para compartilhamento de bicicleta e semáforos inteligentes para pessoas com deficiência. Entretanto, essa não é a realidade do Brasil como um todo. Milhões de pessoas optam por transporte individual e a compra de novos não parece diminuir. O transporte público brasileiro não oferece conforto, segurança e muito menos eficiência. Além disso, o carro, há muito, é visto como pré-requisito para status.

Em primeiro lugar, é preciso notar que a problemática se deve a fatos históricos. Juscelino Kubitschek, enquanto presidente, impulsionou a indústria automotiva e, como efeito, a construção de estradas e o estimulo ao uso de combustíveis fósseis. Desde então, transporte em demasia é uma realidade, pelo caráter revolucionário inicial da temática. Nos dias que correm, o que era inovador tornou-se normal, principalmente por investimentos midiáticos. Propagandas de automóveis individuais em televisões e outros meios de comunicação reproduzem a ideia de que com isso, o indivíduo obtém status e até mesmo felicidade, como afirma Marcus Jeutner, especialista em mobilidade.

Ademais, as propagandas incentivam a compra de novos carros, os últimos lançamentos, para estar sempre “em dia” com o que é mais avançado. Segundo dados do Detran, a cada quatro habitantes, um possui carro, e a tendência é aumentar. Ainda, o transporte público brasileiro tem retrocedido no que diz respeito a qualidade; não só existe muito trânsito -o que causa problemas com o tempo gasto nas viagens- como também existem períodos nos quais poucos ônibus circulam nas ruas. Conforme a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, três milhões de brasileiros deixam de usar o transporte público no Brasil. Tais dados revelam que, além do fator demora, o veículo de uso coletivo não é agradável e nem, no mínimo, confortável e seguro.

Destarte, para que a mobilidade urbana brasileira tenha menos impacto ambiental, o Poder Executivo deve desenvolver um projeto em parceria com a Secretaria dos Transportes Metropolitanos de cada Estado que vise a propor a melhoria do transporte público juntamente com campanhas a respeito da problemática. O projeto deve investir na reforma dos veículos da existentes e fabricar novos, colocando a quantidade adequada em uso; os que estiverem em condições precárias devem ser retirados. As campanhas devem ser feitas pelos meios de comunicação, e as reformas por meio da contratação dos profissionais capacitados, como mecânicos, engenheiros e afins. Desse modo, a ordem será re-estabelecida e o progresso será viável, fazendo, não só de Curitiba, mas de todo o Brasil, um exemplo.