Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 30/07/2020

Embora o artigo 1 da Constituição Federal Brasileira de 1988 assegure o progresso sustentável como direito e dever da sociedade e do Estado, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia no que diz respeito à mobilidade urbana. Tal quadro tem como principal causa o vínculo estabelecido entre automóvel e status social, o qual fomenta o chamado “inchaço de veículos” nas regiões metropolitanas. Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de analisar essa problemática intrinsecamente ligada a problemas ambientais.

Tendo em vista a realidade supracitada, é imprescindível ressaltar que o desenvolvimento da indústria automobilística, durante o Plano de Metas do governo Juscelino Kubitscheck, difundiu o uso de carros no Brasil e estimulou a variedade de modelos. Sendo assim, instituiu-se uma dependência entre indivíduo e veículo, “cultura do carro”, visto que esse passa a ser, não só um indicativo de classe, mas também uma marca da identidade do cidadão. Logo, é perceptível que os automóveis possuem significado social.

Outrossim, é imperativo pontuar os impactos negativos gerados pela uso excessivo de transportes a motor, uma vez que esses são responsáveis por cerca de 96% da emissão de monóxido de carbono segundo a revista “EcoDebate”. Entre eles configura-se: o aumento no número de pessoas com doenças respiratória, causadas por substâncias tóxicas emitidas, e o trânsito nas metrópoles, o qual intensifica o stress diário de uma parcela da sociedade. Posto isso, é evidente a importância de mudanças que visem atenuar esse quadro.

Compreende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de reduzir o congestionamento nas ruas e a poluição atmosférica. Para isso, cabe a Secretaria Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos estimular a utilização de transportes sustentáveis, por meio da construção, nas cidades, de centros que disponibilizem bicicletas e patinetes para aluguel à preços acessíveis. Ademais, cabe às escolas conscientizar os alunos acerca das consequências negativas do uso exagerado de carros, mediante debates em sala, visando incentivá-los a se locomoverem a pé. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminhar para a completude do artigo 5 da Constituição.