Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 24/08/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a mobilidade urbana de baixo impacto ambiental torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela falta de estrutura dos transportes coletivos, seja pelo individualismo, o problema permanece silenciosamente afetando o meio em que vivemos e exige uma reflexão urgente.

A priori, é preciso ressaltar que a ausência de estruturas ideais para o transporte coletivo ou sustentável corrobora de forma intensiva para a problemática. Isso ocorre, pois, o Estado se mostra ineficiente quando a questão é investir na melhoria dos transportes públicos, - como ônibus, metrô e trem -, e nas ciclovias para incentivar o uso de bicicletas. Dessa forma, verifica-se a precariedade desses meios, no qual segundo pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa e Economia (IPEA), 60% das pessoas entrevistadas avaliaram o transporte público como “péssimos ou ruins”, alegando superlotação e baixa qualidade de serviço. Nesse sentido, é necessário que medidas imediatas sejam tomadas para que a sociedade de modo geral possa usufruir de seus direitos.

Somado a isso, o egoísmo de parte da população fortalece a adversidade em tese. De acordo com a obra “Modernidade Líquida”, de Zygmunt Bauman, a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Isso acontece, pois, o individualismo faz oposição ao coletivismo, levando a pessoa a pensar em si próprio, não conseguindo se colocar no lugar do outro. Assim, parte da população prefere se deslocar com carro ou moto de forma individual, o que leva a um maior tráfego de automóveis, e consequentemente, a poluição. Desse modo, é inaceitável que essa situação se perpetue na sociedade contemporânea. Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário.

Logo, cabe ao Poder Público – conjunto de órgãos com autoridade para realizar os trabalhos do Estado -, investir na melhoria dos transportes públicos e no aumento das ciclovias, por meio de incentivos financeiros, com a finalidade de melhorar a mobilidade urbana e reduzir seus efeitos negativos no meio ambiente. Com tais implementações, o transtorno poderá ser uma mazela passada na História brasileira.