Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 25/08/2020
Cidadania – uma palavra usada com frequência, mas que poucos entendem o significado, quer dizer, em essência, a garantia por lei de viver dignamente. Entretanto, no Brasil, a falta de dignidade pode ser notada quando o assunto são as dificuldades da mobilidade urbana, pois o cidadão é impedido de usufruir de seus direitos. Nessa perspectiva, seja pela precariedade dos transportes públicos, seja pela insuficiência de ciclovias, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e precisa de uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, é válido reconhecer como as adversidades da mobilidade urbana limita a cidadania do indivíduo, que tem como princípio fundamental, o direito e o bem estar social. Nesse sentido, segundo Gilberto Dimenstein, apesar da declaração Universal dos direitos humanos e de todos os modernos códigos legais que regem o país, o Brasil ainda é negligente quando o assunto é um planejamento adequado em investir na melhoria de transportes coletivos, no qual segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 60% das pessoas entrevistadas avaliaram o sistema público como “péssimos ou ruins”, alegando superlotação e baixa qualidade de serviço. Nesse âmbito, é inaceitável que essa situação se perpetue na sociedade contemporânea.
Somado a isso, é relevante destacar que a falta de investimentos na construção de áreas de ciclovias é responsável pelo acirramento da questão. Nesse viés, de acordo com dados do IBGE, apenas 14 em cada 100 municípios no país possuem ciclovias, no qual de 2017 para cá, mais de 95% dos acidentes envolvendo ciclistas aconteceram fora das ciclovias, demonstrando que a falta de lugares apropriados para pedalar tem sido o principal obstáculo para quem quer usar um veículo não motorizado, que contribuem para diminuição da liberação de dióxido de carbono no planeta e consequentemente a diminuição da poluição. Logo, é inaceitável que essa situação se perpetue na sociedade contemporânea.
Depreende-se, portanto, que são necessárias medidas capazes de mitigar o problema. Para tanto, é imperiosa uma ação do governo, que de por meio da disponibilização de eficientes e de qualidade transportes coletivos, promover segurança aos passageiros atendendo suas respectivas necessidades de deslocamento, a fim de proporcionar uma sociedade que possa usufruir de seus direitos como cidadão, contribuindo, assim, para o surgimento de um país mais justo e igualitário no qual os problemas poderão ser mazelas passadas na história brasileira.