Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 24/08/2020
O filme “De Volta para o Futuro II” conta a história de Martin McFly e Emmett Brown que, por meio de uma máquina do tempo, viajam do ano de 1985 para 2015. Nesse ano, o futuro é retratado com carros voadores de alimentação orgânica e tráfegos sem engarrafamentos. Analogamente, a realidade, principalmente brasileira, é completamente diferente. Além de não existirem automóveis que se locomovam aereamente, ainda há uma grande dificuldade quanto à sustentabilidade e mobilidade mais eficiente no meio urbano. Nesse âmbito, é possível destacar como fatores que sustentam a problemática abordada a precariedade de ações estatais e a dificuldade no uso e acesso à veículos alternativos.
É importante destacar, a priori, o preço e a disponibilidade de veículos que se encaixam no plano sustentável como agravantes da problemática. Isso porque, em geral, carros que funcionam à energia elétrica têm valores exorbitantes e inacessíveis para a maioria da população e não são muito comuns de serem encontrados. Dessa maneira, quem procura uma solução menos poluente e prejudicial ao ambiente recorre aos meios de transportes alternativos (bicicletas, por exemplo), que não são tão eficientes quanto ao tempo de percurso e a praticidade de uso, já que dependem de esforço físico. Além disso, segundo dados do IBGE, somente 14 em cada 100 municípios brasileiros possuíam ciclovias em 2017. Assim, aqueles que visam meios de baixo impacto ambiental para se locomover encontram dificuldades.
Além disso, é relevante ressaltar que a falta de políticas públicas também é responsável pelo acirramento da questão. Segundo Abraham Lincoln, ícone político americano, a política existe para servir ao povo e não o contrário. Com efeito, em relação à mobilidade urbana sustentável, o que se percebe é justamente a ideia oposta à que Lincoln defendeu, pois não há um conjunto eficiente de ações, planos e metas públicas voltadas para a resolução da questão. Estradas, ruas e avenidas mal planejadas, por exemplo, podem gerar engarrafamentos, que ajudam a aumentar a concentração de poluentes. Assim, é inadmissível, que um país participante da Agenda 21 permita que a situação persista, contrariando a ideia que tal declaração defende.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que o entrave discorrido seja coibido. Para tanto, cabe ao Estado, a partir da atuação do Ministério da Infraestrutura, investir na disponibilização de mais transportes públicos de qualidade, no melhoramento das vias de tráfego desses transportes e na construção de ciclovias. A ideia é que, por meio de parcerias com empresas privadas capacitadas, esses serviços sejam mantidos com qualidade e eficiência a fim de que a população possa usufruir de seus direitos, assim como contribuir para uma redução na poluição ambiental. Dessa forma, notar-se-á uma melhora gradativa da questão em discussão.