Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 24/08/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a mobilidade urbana de modo sustentável, torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela falta de incentivo do uso, ou pela busca de mais agilidade na locomoção, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

A priori, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, priorizando a comodidade e rapidez no seu deslocamento, as pessoas acabam esquecendo dos fatos prejudiciais do excesso de meios de transporte nas ruas, além dos problemas ambientais apresentados por isso, como o aquecimento global, há também o aumento progressivo na saturação de vias.

Pesquisas indicam que diariamente dezenas de milhões de toneladas de gás carbônico são liberadas na atmosfera no Brasil, devido a alta concentração de automóveis nas rodovias. Sendo este um dos gases responsáveis pelo aquecimento global além da grande taxa de poluição. Cidades que carregam essas maiores nuvens de fumaça também apresentam grande problema respiratório na sua população.

Por conseguinte, discussões importantes, como sobre a mobilidade urbana têm ficado à margem das prioridades da população brasileira. Nesse viés, é importante salientar o papel da sociedade brasileira, visto que o controle social representa uma ferramenta indispensável para combater a omissão do governo frente ao problema. De acordo com o filósofo e sociólogo alemão Theodor Adorno a emancipação do cidadão deve partir da autonomia e da autorreflexão. Portanto, faz-se mister que o brasileiro se veja como parte integrante da comunidade em que vive, pois só assim será capaz de nela intervir.​