Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 28/08/2020

O livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas do Brasil contemporâneo. Nesse viés, entende-se que os transportes urbanos de baixo impacto ambiental são uma problemática em questão na atualidade. Assim, é necessário analisar que seja pela falta de infraestrutura nas cidades, ou então, devido ao descaso governamental para com a diversificação dos meios de transporte, o entrave vem silenciosamente se agravando e necessita de reflexão urgente.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que as cidades brasileiras, em grande maioria, não possuem um planejamento urbano bem elaborado. Sendo assim, há uma dificuldade na conciliação do espaço para a implantação de ciclo faixas, ou então vias expressas apenas para a circulação do transporte coletivo. Em 2012, o Ministério das Cidades elaborou uma lei que exigia dos municípios, com mais de 20 mil habitantes, um documento com um plano de mobilidade urbana, seis anos depois, apenas 6% dos municípios inclusos tinham tal documento. Logo, percebe-se que existe um descaso com a estrutura das cidades, o que colabora com o problema da mobilidade sustentável.

Em segundo lugar, compreende-se que projetos que visam a diversificação dos meios de locomoção não são aplicados com eficácia. Deste modo, o Estado não intervêm de forma a descentralizar a modalidade rodoviária, principalmente à combustão (já que devido a ela é que toneladas de carbono são emitidas na atmosfera). A exemplo, existem intervenções como a feita em Fortaleza, com a implantação de um sistema de carros elétricos e compartilhados, ou então, a ampliação da malha de ciclovias, em São Paulo, porém são muito pouco frente à realidade de todas as cidades brasileiras, fato que comprova a necessidade de um posicionamento estatal. Enfim, conclui-se que o Governo possui uma grande responsabilidade com relação a implantação efetiva dos métodos de transporte urbano sustentável.

Em suma, a problemática ainda existe e necessita de solução. Dessa forma, cabe ao Governo, fiscalizar o cumprimento da lei de mobilidade urbana, por meio de metas - com relação às ciclofaixas, eletropostos e vias expressas, por exemplo -, com o objetivo de incentivar a diversificação dos meios de locomoção. Portanto, poder-se-á atenuar a problemática atual próximo ao discutido por Dimenstein em sua obra “O Cidadão de Papel”.