Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 26/08/2020

A mobilidade sustentável nas áreas urbanas é uma questão problemática para a maioria dos países, pois há diversos fatores que dificultam a prática dessa realidade: o intenso tráfego terrestre, a emissão de gases poluentes e a alta concentração demográfica são os principais exemplos. Dessa forma, a inserção de meios de transporte mais ecológicos e que reduzem efetivamente os impactos ambientais - como as bicicletas e as próprias caminhadas - ainda é, e continuará sendo, inviável enquanto a realidade de negligências praticadas pelo Estado e pelo povo for perpetuada.

Mormente, o crescimento exacerbado do número de carros no Brasil é consequência não somente da má qualidade do transporte público, mas também de uma ascensão social que se baseia no consumismo. A assertiva de Zygmunt Bauman, “consumo, logo existo”, demonstra que, na sociedade pós-moderna, a condição indispensável à vida é o consumo. Ao tomar como norte a linha de raciocínio do sociólogo, evidencia-se que, no sistema de produção capitalista, a obtenção de um veículo motorizado possui uma representação ideológica de poder, impulsionando, assim, as compras. Some-se a isso, as precárias condições dos ônibus brasileiros corroboram com a situação e propiciam o aumento da emissão de gases poluentes na atmosfera, tal fato vai de encontro ao ideal de uma sociedade sustentável.

Outrossim, a negligência estatal no que diz respeito ao deslocamento com menor impacto ambiental configura-se como uma problemática. E, embora a Constituição vigente evidencie a necessidade de manter um meio ambiente ecologicamente equilibrado por parte da coletividade e, sobretudo, do Poder Público, hodiernamente, isso não é uma realidade no país. Contrariando a Carta Magna, promulgada em 1988, o Estado não elabora medidas que influenciam o uso de transportes alternativos, por exemplo, a bicicleta. Dessa forma, mostra-se importante uma melhor atuação governamental em relação às ciclovias das grandes metrópoles e a uma manutenção mais eficiente dos ônibus que circulam pelas cidades.

Dessa forma, cabe ao Ministério do Transporte conjuntamente às empresas privadas, a melhoria das condições dos transportes públicos como a colocação de ar condicionado e o aumento de suas frotas, a fim de incentivar o uso dos mesmos e diminuir a emissão de poluentes. Soma-se a isso, a formulação de propagandas que mostrem os benefícios das bicicletas para a natureza nas mídias, por ONGs do meio ambiente, com o objetivo de estimular o uso desse veículo. Concomitantemente ao planejamento de ciclovias bem estruturadas com sinalização pelo Ministério das Cidades.

Pode-se dizer, portanto, que o processo histórico rodoviário no país atrapalhou o avanço de outros modais e o uso de transportes mais sustentáveis. No entanto, com o estímulo do governo e a mudança do hábito dos brasileiros, a mobilidade urbana de baixo impacto ambiental avançará.