Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 30/08/2020
Segundo Serge Latouch, filósofo francês, o crescimento desenfreado e desproporcional do consumo, das atividades produtivas e da população na segunda metade do século XX acendeu o sinal de alerta sobre o futuro e a conservação da vida no planeta Terra. Nesse contexto, torna-se notório a busca pela diminuição dos impactos ambientais antrópicos. Contudo, quando a questão relaciona-se com a mobilidade urbana apresenta desafios relevantes de análise, como o aumento da frota de veículos decorrente de um processo político-estrutural e ideológico, bem como a dificuldade de programar novos métodos de locomoção.
Inicialmente, o crescimento intensivo do número de carros no Brasil é consequência não somente da má qualidade do transporte público, mas também de uma ascensão social que se baseia no consumismo. A assertiva de Zygmunt Bauman, “consumo, logo existo”, demonstra que, na sociedade pós-moderna, a condição indispensável à vida é o consumo. Ao tomar como norte a linha de raciocínio do sociólogo, evidencia-se que, no sistema de produção capitalista, a obtenção de um veículo motorizado possui uma representação ideológica de poder, impulsionando, assim, as compras.