Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 24/08/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a mobilidade urbana de baixo impacto ambiental torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pelo descaso do poder legislativo de criar leis pró-ecológicas, seja pela vasta utilização de combustíveis fósseis, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
A priori, é necessário destacar que esse sonho de uma nação perfeita está distante do Brasil real, visto que os transportes que consomem derivados do petróleo leva o país de encontro a essa concepção idealizada por Quaresma. Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.), qualquer país só evoluirá quando houver políticas públicas eficazes para combater os problemas ecológicos. Portanto, o legado de negligência e ignorância frente à utilização do petróleo desde a construção, até o consumo como combustível persiste e impede que o Brasil prospere rumo ao desenvolvimento social pleno.
Além disso, é relevante destacar que a falta de políticas públicas também é responsável pelo acirramento da questão. Segundo Abraham Lincoln, ícone político americano, a política existe para servir ao povo e não o contrário. Com efeito, em relação à mobilidade urbana sustentável o que se percebe é justamente a ideia oposta a que Lincoln defendeu, pois não há um conjunto de ações, planos, metas públicas voltadas para a resolução da questão. E, como consequência, há o agravamento de um problema social expressivo que poderia ser solucionado se houvesse mais interesse do Estado. Assim, é inadmissível que um país signatário da Agenda 21 permita que sua população padeça, contrariando a ideia que tal declaração defende.
Em síntese, a mobilidade urbana sustentável é um grande entrave no atual cenário brasileiro. Logo, é dever do Estado reduzir a grande massa de automóveis individuais, por meio da expansão e barateamento dos transportes coletivos nas grandes metrópoles brasileiras. A fim de minimizar os danos causados pelo alto consumo de combustíveis fósseis nas ruas. Só assim, torna-se-à o país naquilo que Policarpo admite ser, um Estado que prospera ao desenvolvimento.