Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 24/08/2020
Nações e regiões desenvolvidas tendem a propiciar às suas populações uma maior rede de transportes de baixo impacto ambiental. Isso gera uma melhora na qualidade atmosférica e bem-estar do povo. No Brasil, entretanto, a situação se mostra em sentindo inverso, uma vez que existe um processo histórico de recusa a modais menos poluentes, que tomam papel secundário nas prioridades do governo. Esse contexto expõe ao país a dificuldade de propor meios de locomoção de menor impacto ao meio ambiente, problema sustentado pelo baixo incentivo a transportes ecologicamente corretos e que tem como consequência impactos negativos na qualidade de vida populacional, resultantes da poluição do ar.
Em primeiro lugar, há de se analisar que os investimentos em modais sustentáveis ainda são baixos e tardios no Brasil. Desde o governo de Kubitschek, há uma intensa valorização da malha rodoviária, altamente poluente, em detrimento de outros meios de locomoção, o que gera um atraso ao país (em comparação à outras nações) no que tange ao desenvolvimento de transportes menos poluidores. Em uma publicação do G1, intitulada “Ciclovias representam apenas 1% da malha viária das capitais no país” (2014), o especialista em mobilidade Alexandre Delijaicov, da Universidade de São Paulo (USP), disse que há um estímulo ao uso do carro por todos os lados: “trata-se de um urbanismo mercantilista, que só colabora para piorar a construção coletiva da coisa pública”. Além disso, segundo dados do IBGE (2017), apenas 14 em cada 100 municípios no país possuem ciclovias – 817 em um total de 5570 – , o que reafirma o ainda insuficiente investimento em modais ecologicamente corretos.
Essa situação precária torna-se um empasse não só no que tange à locomoção, mas também no que se refere à saúde da população. De acordo com um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas no dia 28/10/2016, o setor de transportes é o responsável por 23% da emissão de gases do efeito estufa na atmosfera; além disso, 3,5 milhões de mortes prematuras acontecem devido à poluição do ar. Tais dados demonstram o quão prejudicial é essa negativa aos modais sustentáveis, que além de ocasionar perdas humanas diversas, gera altos custos ao Estado, que terá de ampliar os investimentos em saúde.
Portanto, é essencial que sejam tomadas medidas para mitigar o problema. Para isso, é preciso que o Governo invista mais em transportes ecologicamente corretos por meio da ampliação e maior distribuição de ciclovias pelo país – aprovando projetos de lei que exijam a presença de ciclofaixas nas cidades e acordando obras públicas para ciclistas, por exemplo. Tal ação tem como objetivos melhorar a mobilidade urbana e, consequentemente, diminuir a poluição do ar e melhorar o bem-estar do povo.