Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 24/08/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a mobilidade urbana de baixo impacto ambiental torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela falta de investimento nessa área, seja pela dificuldade de acesso ao transporte público, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
A priori, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, visto que o país não prioriza o transporte não motorizado - pelo contrário, o governo brasileiro, desde o século XX, investe intensamente no setor rodoviário, impulsionando o consumo de automóveis. De acordo com IPEA, a quantidade de financiamento público do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2) destinada à mobilidade urbana é insuficiente para resolver o problema das grandes metrópoles - apenas 0,45% dos 2,1% do PIB foi investido de 2011 até 2014. E, por isso, grandes cidades do Brasil enfrentam, diariamente, extensas filas de congestionamento.
Além disso, é relevante destacar que a falta de ciclovias também é responsável pelo acirramento da questão. Segundo Abraham Lincoln, ícone político americano, a política existe para servir ao povo e não o contrário. Com efeito, em relação à mobilidade urbana sustentável, o que se percebe é justamente a ideia oposta a que Lincoln defende, pois não há um conjunto de ações, planos, metas públicas voltadas para a resolução da questão. E, como consequência, há o agravamento de um problema social expressivo que poderia ser solucionado se houvesse mais interesse do Estado. Assim, é inadmissível que um país signatário da Agenda 21 permita que sua população padeça, contrariando a ideia que tal declaração defende.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Nesse viés, cabe ao Governo, por intermédio dos órgãos responsáveis, estimular o uso de meios de transporte de baixo impacto na natureza. Tal medida pode ser efetivada por meio da elaboração projetos com profissionais da área e pela construção de mais ciclovias nas ruas do país. Logo, a sociedade brasileira poder-se-á viver de forma mais harmônica e coesa com o meio ambiente.