Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 26/08/2020
Segundo Aldo Leopold, filósofo ambientalista, o homem deve se comportar de forma harmônica com a natureza. Essa perspectiva, embora correta, não é efetivada no cenário brasileiro hodierno, sobretudo nas grandes metrópoles, posto que os severos desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental ainda permeiam a população canarinha. Isso ocorre, ora em função da má influência midiática, ora pela inoperância das esferas governamentais. Assim, faz-se profícuo analisar esse cenário nefasto, com o fito de garantir uma mobilidade urbana mais sustentável.
Antes de tudo, é imperioso salientar a má influência midiática como influente na perpetuação desse revés. Conforme Pierre Bordieu, o que foi criado para ser criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em instrumento de opressão simbólica. Dessa forma, pode-se observar que os grandes vínculos de comunicação não trazem à pauta meios alternativos de locomoção que diminuam os impactos ambientais, como bicicletas, patinetes e carros elétricos. De modo contrário, tais meios comunicacionais de massa transformam os movimentos ambientalistas em entraves para o desenvolvimento econômico e social. Desse modo, a mídia atua como uma ferramenta de coerção social quando exerce parcialidade sobre o tema, o que configura como um desafio para a resolução da problemática.
Outrossim, é imprescindível compreender o efeito da inoperância das esferas governamentais perante o impasse. Por esse ângulo, aplica-se o “contrato social” do filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, que consiste no pensamento de que o homem abre mão de sua liberdade individual para que o Estado, em retorno, garanta o bem-estar social. A partir disso, pode-se interferir que o Estado brasileiro quebra tal conceito, uma vez que os investimentos em melhoras na mobilidade urbana são escassos. Como consequência, nota-se uma ausência de elementos básicos para a consolidação uma locomobilidade citadina menos poluente, como ciclofaixas, sistemas de trilhos eficiente e integração entre modais. Com efeito, fica evidente a necessidade da aplicação de medias remediadoras.
Dessarte, para alterar tal conjuntura, o Governo Federal - instância máxima da administração executiva - deve criar uma campanha intitulada “Mobilidade Verde” , por meio de subsídios ao Ministério das Comunicações, a qual serão ensinadas a importância de utilizar modais de baixo impacto ambiental. Paralelamente, é indispensável a criação de planos urbanísticos nos municípios, em parceria com as prefeituras, para que haja uma locomobilidade urbana mais efetiva, contando a integração entre modais e criação de ciclofaixas e ciclovias. Nesse sentido, o intuito dessas ações é mitigar os desafios de uma mobilidade urbana sustentável. Quiçá, assim, alcançar-se-á a harmonia proposta por Leopold.