Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 30/08/2020

Segundo o filósofo francês Serge Latouche, o crescimento desenfreado e desproporcional do consumo, das atividades produtivas e da população acendeu o sinal de alerta sobre o futuro e a conservação da vida no planeta Terra; tornando-se notório a busca pela diminuição dos impactos ambientais antrópicos. Conquanto, a questão relaciona-se com a mobilidade urbana, apresentando desafios relevantes de análise, como o aumento da frota de veículos decorrente de um processo político-estrutural e ideológico, bem como a dificuldade de implementar novos métodos de locomoção.

A aquisição de um automóvel, além de demonstrar poder econômico, esclarece como a sociedade desenvolve-se de maneira individualista, ignorando, por vezes, o bem-estar social. É imprescindível notar, que em conjunto com os congestionamentos vêm a poluição ambiental, causada pela liberação de dióxido de carbono (CO₂) e também a poluição sonora. Como resultado disso, têm-se cada vez mais problemas de saúde relacionados à poluição e ao estresse.

Ademais, a concretização de uma mobilidade urbana de baixo impacto ambiental esbarra em valores culturais da sociedade brasileira. No país, é comum a associação do automóvel ao prestígio social de seu dono. Nesse ínterim, torna-se mínima a preferência pela bicicleta ou pelo transporte coletivo, por isso, grandes cidades do Brasil enfrentam, diariamente, extensas filas de congestionamento.

Em virtude dos fatos mencionados, compreende-se que esses desafios necessitam da intervenção civil e estatal. Sendo assim, visando diminuir a circulação de carros e aumentar a utilização dos transportes públicos, como também das bicicletas, o Estado deve assegurar mais ônibus, mantendo o custo da passagem acessível a todos, além de aumentar o número de ciclovias e sinalizações nas ruas, na tentativa de garantir a segurança dos ciclistas e incentivar o uso das bicicletas no cotidiano da população.