Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 31/08/2020
A segunda revolução industrial, iniciada no século XIX, impulsionou a criação de carros mais modernos e luxuosos, de modo a facilitar a locomoção das pessoas. Entretanto, hordienamente, essas máquinas são uma das contribuintes para a poluição do meio ambiente. Sendo assim, há a necessidade de substitui-los por modais de baixo impacto ambiental, todavia, existem empecilhos para o consumo destes, seja pela péssima estrutura das calçadas, ou pela escassez de ciclovias. Logo, deve-se analisar as causas que impedem a mobilidade desses automóveis menos prejudiciais.
Convém ressaltar, a princípio, que, desde de 2015, entrou em vigor, no Brasil, a Lei de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/12), que prioriza a circulação dos pedestres nas ruas. Porém, a sociedade não está vendo a tal lei sendo cumprida, já que encontra-se calçadas com buracos, degraus, sem uma boa iluminação para a segurança do cidadão e também, em alguns casos, as pessoas andam nas estradas, junto dos automóveis motorizados, pois o calçamento é muito estreito. Isso fica evidente em uma pesquisa divulgada, em 2019, pela Mobilize Brasil, na qual nenhuma capital brasileira apresenta condições adequadas para a circulação de pedestres em calçadas, ruas e faixas de travessia. Desse modo, é notório que esses problemas diminuem a possibilidade das pessoas preferirem andar a pé.
Ademais, sabe-se que o conceito de carrocracia está presente nas cidades brasileiras, haja vista que elas são construídas de maneira a favorecer os carros e não as bicicletas, ou outros meios de transporte. Com isso, no que diz respeito à bicicleta, esse benefício aos carros provoca a desistência das pessoas na hora de utilizar ela como meio de transporte, visto que a prevalência desse conceito resulta em pouco investimento e manutenções nas ciclovias. Tal questão pode ser observada nos dados coletados pelo IBGE, em 2017, no qual apenas 14 em cada 100 municípios no país possuem ciclovias. Consequentemente, essa falta de segurança aos ciclistas é outro fator para eles optarem por não pedalar, pois a ausência de ciclovias põem a vida deles em risco. Dessarte, é válido pontuar que o governo não incentiva o uso de bicicletas, em razão de não oferecer condições para que isso ocorra.
Infere-se, portanto, a necessidade de melhorias no âmbito de transportes sustentáveis. Para isso, o governo municipal deve usar as verbas dos impostos e adotar medidas, a exemplo de Enrique Peñalosa, que aumentou a iluminação das ruas, aumentou as calçadas e aumentou a tarifa de estacionamento, incentivando as pessoas a andarem a pé. Outra solução é uma parceria entre governo estadual e empresas, visando expandir a construção de ciclovias e os projetos de compartilhamento de bicicletas ou patinetes, como feito pelo banco Itaú e pela empresa Yellow, que estarão disponíveis em pontos estratégicos. Somente com medidas como essas que o Brasil será um exemplo a ser seguido.