Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 30/08/2020
Segundo Serge Latouche, economista e filósofo francês, o crescimento desenfreado e desproporcional do consumo, das atividades produtivas e da população na segunda metade do século XX acendeu o sinal de alerta sobre o futuro e a conservação da vida no planeta Terra. Nesse contexto, torna-se notório a busca pela diminuição dos impactos ambientais antrópicos. Todavia, quando a questão relaciona-se com a mobilidade urbana apresenta desafios relevantes de análise, como o aumento da frota de veículos decorrente de um processo político-estrutural e ideológico, bem como a dificuldade de implementar novos métodos de locomoção.
Em primeiro plano, o setor público deve assegurar e promover a preservação ambiental em todo o território nacional, de forma a conservar a biodiversidade local. Porém, as metrópoles e os centros conurbados são diariamente negligenciados pela falta de políticas públicas eficientes para exercício de tal dever, assegurado pelo artigo 225 da Constituição. Medidas como a ampliação da malha de ciclovias ou o incentivo ao uso do transporte público para a redução dos carros circulando causariam um enorme efeito positivo, visto que ocorreria a consequente diminuição de emissão de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono. Contudo, as autoridades não investem massivamente nesse tipo de projeto e perpetuam a existência de uma realidade poluente e alarmante. Logo, um dos principais desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental está diretamente relacionado à ineficiência do Estado.
Destarte, depreende-se que esses desafios necessitam da intervenção civil e estatal. Sendo assim, visando diminuir a circulação de carros e aumentar a utilização dos transportes públicos, como também das bicicletas, o Estado deve, na atuação do Ministério dos Transportes (MT) assegurar um maior número de ônibus nas capitais em parceria com as empresas desses veículos, mantendo sempre o custo da passagem acessível a todos, além de aumentar o número de ciclovias e sinalizações nas ruas, na tentativa de garantir a segurança dos ciclistas e incentivar o uso das bicicletas no cotidiano da população. Ademais, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) em conjunto com as grandes emissoras televisivas podem divulgar campanhas acerca dos prejuízos causados pelos automóveis e propagar os benefícios saudáveis e econômicos proporcionados pelas pedaladas.