Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 29/08/2020

Na obra " A bicicleta amarela" de Igor Colares, é retratada a história de um menina que adora andar de bicicleta, ato esse marcado pela graciosidade, emoção e tranquilidade. Entretanto, fora da ficção a situação parece ser contraria, haja vista que os meios de transporte alternativos não recebem muitos destaques no Brasil. Nesse contexto, convêm discutir, não só as causas, bem como os fatores que impedem o combate aos obstáculos da problemática em questão.

Em primeiro lugar, a infraestrutura precária contribui para o afastamento da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental. Prova disso está na ausência de ciclovias e ruas com condições mínimas ao trafego, na qual a falta de sinalização e os perigos do transito distanciam os cidadãos a adotarem alternativas sustentáveis de transporte. Segundo dados do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito de São Paulo), o número de ciclistas mortos no trânsito da cidade de São Paulo subiu 63,6% em 2019, fato esse cada vez mas constante.

Além disso, a falta de estímulo aliado à ideia de impotência intensificam o impasse. Isso porque, diversos indivíduos não são incentivados a adotar condutas ambientais corretas, tais como utilizar transporte público e pegar carona com amigos, em vez de sair sozinho. Ainda mais, muitos consideram que um veículo a mais, ou a menos, não fará diferença alguma, logo é desprezível sua atitude. Consequentemente, essa ideia atinge outros seres, corroborando para persistência do problema. Incisa nessa lógica, na capital da Dinamarca, por exemplo, mais da metade da população utiliza bicicletas para ir trabalhar e em Tóquio, o sistema de transporte público é classificado como o melhor do mundo, segundo o site Outras Mídias. Isto é, bicicletas, metrôs e ônibus são soluções saudáveis, viáveis e que o Brasil pode tomar para acabar com a lotação nas rodovias, tarifas abusivas, poluição e doenças respiratórias da população.

Fica clara, portanto, a necessidade de erradicar as barreiras que impedem o avanço da mobilidade de menos impacto ao ambiente. Para isso, é preciso que a Receita Federal aplique parte dos impostos arrecadados na criação de obras públicas, como ciclovias, para que a população possa utilizar meios que emitem menos poluição, e ainda ajudem na saúde física, além de melhorar a fiscalização e estruturação das já existentes. Em consonância, o Ministério da Educação deve promover campanhas e palestras nos meios de comunicação, escolas e centros públicos com temas envolvendo a importância da adoção universal dos meios de transporte menos poluentes. Ademais, a própria sociedade deve estar apta as mudanças propostas, e adotar as medidas impostas. Afinal, como a filosofia nos mostra com Platão, o importante não é apenas viver, mas viver bem.