Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 31/08/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a implementação da mobilidade urbana torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela falta de visibilidade dada ao assunto, seja pela pouca implementação de políticas públicas, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
A priori, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, visto que a redução de impactos ambientais leva o país de encontro a essa concepção idealizada por Quaresma. Isso porque, mediante à baixa atuação dos setores governamentais, o cidadão fica à mercê da própria sorte. Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), qualquer país só evoluirá quando houver atenção dos órgãos governamentais para combater os problemas sociais. Portanto, o legado de negligência e ignorância frente a mobilidade urbana sustentável persiste e impede que o Brasil prospere rumo ao desenvolvimento social pleno.
Além disso, é relevante destacar que a falta de políticas públicas também é responsável pelo acirramento da questão. Segundo Abraham Lincoln, ícone político americano, a política existe para servir ao povo e não o contrário. Com efeito, em relação à mobilidade urbana sustentável o que se percebe é justamente a ideia oposta a que Lincoln defendeu, pois não há um conjunto de ações, planos, metas públicas voltadas para a resolução da questão. E, como consequência, há o agravamento de um problema social expressivo que poderia ser solucionado se houvesse mais interesse do Estado. Assim, é inadmissível que um país signatário da Agenda 21 permita que sua população padeça, contrariando a ideia que tal declaração defende.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do Governo federal, com seu poder sobre as normas de mobilidade nas áreas urbanas, diminuir a emissão de gases pelo transito intenso, por meio de novas políticas públicas que favoreçam o uso de transportes mais econômicos. Espera-se, dessa forma, que o impacto ambiental causado por esse meio seja diminuído e que o Brasil esteja cada vez mais perto da utopia imaginada por Policarpo Quaresma.