Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 30/08/2020

O compositor Luiz Gonzaga diz em uma de suas músicas: “Não posso respirar, não posso mais nadar, a terra está morrendo e não dá mais para platar”(1992). Analisando-se este trecho, percebe-se que até mesmo na década de 90 já era notória a interferência negativa da ação do homem na natureza, esta que vem intensificando-se com o passar dos tempos.

Em primeiro plano, destaca-se que o agravamento da emissão de gases poluentes na atmosfera é resultante do crescimento exacerbado do número de carros nos países. No Brasil, este está diretamente vinculado à má qualidade do transporte público e à presença impactante do capitalismo na sociedade pós moderna. “Consumo, logo existo”, disse o sociólogo Zygmunt Bauman com o seguinte raciocínio, na sociedade capitalista a condição indispensável à vida é o consumo.

Já em segundo plano, não é incomum observar cidadãos se endividando para obter um transporte individual, tanto para suprir a necessidade de deslocamento quanto para munir-se do status advindo de tal compra. A noção de luxo que paira no imaginário popular ainda tem muito a ver com as ideias proferidas no governo de Juscelino Kubitschek perante o excessivo engrandecimento do transporte individual – fomentador da implementação das empresas automobilísticas no Brasil. Entretanto, seus resultados são vistos até os dias atuais, nos longos congestionamentos de horários de pico. De acordo com o jornal O Globo, os paulistanos gastam em média 45 dias do ano presos no trânsito, reiterando a diminuição da qualidade de vida proporcionada pela má mobilidade urbana.

Portanto, é viável pensar em soluções para o problema. Por isso, desenvolver medidas para sanar essa problemática é primordial. As prefeituras devem investir na melhoria, em quantidade e qualidade, do transporte público; aumentar o número de ciclovias e ter projetos para empréstimos de bicicletas. A mídia pode estimular o uso de transporte alternativo por meio de propagandas e outdoors. Dessa forma, o Brasil se distanciará de seu passado histórico, rumo a uma mobilidade adequada e digna.